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Friday, June 10, 2005

Uma brasileira e um job em Londres

*** Segue abaixo mais uma coluna minha publicada no site da Click 21. Desta vez o relato é sobre o primeiro emprego que consegui em Londres, mas que acabei abrindo mão. ***

Hoje começo a coluna fazendo uma confissão: rejeitei uma oportunidade de emprego em Londres! Guess where? Outback. Yes, tem Outback em Londres. O dono do restaurante é um inglês casado com uma brasileira, casal super simpático por sinal. Antes que alguém me pergunte, a comida é parecida. A cebola é menos vitaminada (pequenininha, quase precisei de lupa), mas o brownie é melhor do que no Brasil (pode confiar, sou chocólatra de carteirinha!).

Bom, primeiro tenho que explicar que estou tentando incrementar minhas finanças por aqui (não sou nenhuma Becky Bloom, mas as entradas dos meus adorados musicais custam caro!). Não é fácil pagar as contas em pounds. O jeito é descolar mesmo um job fora da área e balancear tudo com a vida de correspondente freelancer.

Pois é, voltando ao emprego. Depois de almoçar no Outback com a minha irmã e meu cunhado, resolvi perguntar na cara dura se tinha algum job vacancy. Tinha. A vaga era de host, que, eu descobri meio surpresa, ganha menos do que garçonete. E ainda não tem as gorjetas! Disseram para eu preencher um formulário e aparecer no dia seguinte para fazer um teste. Apareci pontualmente na hora marcada, crente que ia brincar de hostess, sendo monitorada por uma funcionária sênior.

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que tinha que fazer uma prova mesmo, literalmente, de múltipla escolha. Eram umas 60 perguntas, desde questões de personalidade (are you a party animal? Dê uma nota de 1 a 5, sendo que 5 corresponde a mais de 90% do tempo) até probleminhas de matemática (precisei aplicar muita regra de três!). As respostas tinham que ser marcadas num cartão - daqueles parecidos com o do TOEFL, aquela prova de inglês – que seria enviado para os States por fax, para ser corrigido. Feita a prova, voltei para casa e fiquei aguardando o resultado.

Dois dias depois, me ligaram chamando para uma entrevista com o proprietário. Eu já estava pensando duas vezes se queria mesmo esse emprego. Nada contra, mas é que para chegar lá eu precisava pegar 2 trens (não tem metrô direto) e o trabalho seria à noite, que é o horário em que o Outback bomba (e eu detesto trabalhar à noite!). Para completar, a grana não era lá essas coisas (o mínimo por hora). Já deu para perceber que eu estava numa má vontade só com a oportunidade, né? Mas fui, resignada, fazer a tal da entrevista e ver no que ia dar.

Era outra prova, só que agora oral e em duas etapas!! O dono do Outback ia lendo um monte de situações e eu tinha que dizer o que faria, nos mínimos detalhes, ou seja, ponto a ponto. Não tinha exatamente uma resposta certa. Cada coisa que eu respondia podia valer um ponto dentro da questão, que vinha com várias opções.

Situações do tipo: “Um freguês te chama na mesa e diz que o prato dele está errado. O que você faz?” Hãaa... “Peço desculpas, levo de volta e troco pelo certo”, respondo eu. Piiii. Wrong! Primeiro você deve perguntar o que está errado com o prato dele, o que ele pediu, depois se desculpa se estiver mesmo errado e leva para a cozinha para ser trocado. Ok, acho que peguei o espírito da coisa.

Mais uma pergunta: “O cliente sai do restaurante e do lado de fora viu que a bateria do carro está arriada. O que você faz?” Paro e penso. “Bom, eu pergunto se ele quer ligar para o autoclube, or whatever, digo que ele pode esperar o socorro lá dentro...”. Sob o olhar indagador do meu entrevistador, que queria mais, continuo. “Ofereço alguma coisa para ele beber enquanto espera?” Bingo! Ele preenche as opções na folhinha de respostas. “Mais alguma coisa?”, pergunta ele. “Hã, dou um sorriso camarada???” Caraca, foi assim a prova inteira!

E ainda havia aquelas perguntas que você não faz idéia do que responder, como: “Se um cliente resolve te dar uma gorjeta, porque gostou do seu trabalho, o que você faz?”. Bem, sei lá, nunca trabalhei em restaurante para saber como funciona ou como é a política da casa. Seria normal aceitar a gorjeta ou existe uma caixinha que depois é dividida entre todo mundo? Fiu.... Cheguei a suar frio!

Gente, moral da história é que nunca pensei que fosse tão complicado garantir uma vaga no Outback! E é o mesmo processo em TODOS eles, inclusive no Brasil! Mas no fim das contas, acabaram gostando de mim e me ofereceram a vaga. Eu, que já estava pensando duas vezes, enrolei um tempo, dizendo que estava esperando a resposta de uma outra entrevista que tinha feito, e acabei declinado da oportunidade dois dias depois.

Foi assim que quase consegui um emprego londrino. Agora, sem arrependimentos, estou à procura de outro job. Bem que podia ser perto de casa e pagar bem... E ser de dia... E divertido... Um lugar em que se conheça gente interessante... Hum, será que estou pedindo muito? Chaaaaato ser exigente! Pobre das minhas economias...

Bom, na próxima coluna conto se já estou botando a mão na massa ou se ainda estou “turistando” em Londres, enquanto persigo celebridades em premieres do Leicester! ;-)

See you soon.

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