Aninha´s diary

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Thursday, February 01, 2007

London, London...

Saudades de Londres... Vontade de ver a montagem do musical A Noviça Rebelde... Saudades do chicken wrap, da curly fries, do frio londrino... Ai, ai...

Friday, September 02, 2005

Uma brasileira e um tour por Londres


** Minha última coluna em Londres **

Gente, começo minha última coluna escrita em Londres. Pois é, a saudade do Brasil, da família e dos amigos falou mais alto que a minha paixão por esta cidade fantástica e eu decidi arrumar as malas para voltar pra casa. Mas aproveito para antes deixar umas dicas para quem nunca visitou a terra da rainha e planeja fazer isso um dia.

Vir à Inglaterra é uma viagem inesquecível, ainda mais para os amantes de História como eu. Existem aqueles passeios obrigatórios, como ver a troca da guarda no palácio de Buckingham (é chato, mas tem que ser feito!), tirar foto em frente ao Big Ben, andar no Piccadilly Circus e no Leceister Square, conferir os shows de rua em Covent Garden e visitar a Torre de Londres, que já serviu de residência real para muitos monarcas e foi motivo de desespero para muita gente que se opunha aos mandos e desmandos reais. Foi na Torre, construída por ordem de Guilherme, o Conquistador, que duas mulheres de Henrique VIII foram decapitadas: Ana Bolena e Catherine Howard. É também no complexo que estão as jóias da coroa britânica. Passeio imperdível!

Outro lugar interessante é a Abadia de Westminster, que fica em frente ao Parlamento inglês. Lá estão sepultadas, lado a lado, a rainha Elizabeth I e a rainha Mary, mais conhecida como Bloody Mary. As duas irmãs, filhas de Henrique VIII, se odiavam, mas encontraram o descanso eterno juntinhas. Também estão lá os restos mortais dos pequenos príncipes da Torre de Londres, que foram assassinados pelo tio, Ricardo III, que almejava o trono e resolveu sumir com os sobrinhos herdeiros... A cadeira da coroação dos monarcas britânicos também está em exposição dentro da abadia.

Muitos museus em Londres são gratuitos, como o British Museum, Victoria & Albert, Museu de História Natural e National Gallery. Mas existem alguns até meio carinhos que são visita obrigatória. Um deles é o museu de cera da Madame Tussaud. Figuras famosas e as clássicas estão lá representadas, em cópias fiéis de cera (bom, algumas nem tanto assim) e em tamanho original. Brad Pitt e Angelina Jolie já estão lado a lado no jardim das celebridades, enquanto Jennifer Aniston, pobrezinha, aparece sozinha. Outro destaque é a estátua do ator Colin Farell, que está com um copo de cerveja na mão. Igualzinho ao original em carne e osso! Quase dei um beijo no cara, mas me segurei a tempo. Madonna, Mel Gibson, Sarah Michelle Gellar, Harrison Ford (como Indiana Jones!), Oprah, JLo, Chaplin, Hitler, Sadam Hussein, Ayrton Senna, Pelé, David Beckham, Julia Roberts e Simon Cowell são algumas das figuras que fazem também parte da exposição.

Para os fãs dos romances policiais, outro museu legal de conferir é a casa de Sherlock Holmes, que fica, é claro, na Baker Street. Elementar, meu caro Watson! A casa retrata como seria o lar do grande detetive, com direito a lembranças dos casos que ele resolveu. O ingresso não é caro e vale a pena.

Algumas atrações importantes não aparecem com destaque nos guias tradicionais e até não são mencionadas, como é o caso do Museu Imperial da Guerra. Nele, além de tanques e maquinário de guerra, existe uma exposição incrível sobre o Dia D e outra ainda mais impressionante sobre o Holocausto. Depoimentos, objetos, relatos de quem viveu a perseguição nazista ganharam destaque. Uma verdadeira e emocionante aula de história! O museu tem ainda duas experiências interativas: uma simulação de um bombardeio em Londres na II Guerra e uma caminhada por trincheiras da I Guerra Mundial. Se prepare para passar pelo menos umas 5 horas visitando tudo. E o melhor de tudo: sem pagar ingresso. É de graça!

Perto de Londres, pegando um trem na estação de Waterloo, você pode visitar o palácio de Hampton Court. Henrique VIII adquiriu o palácio para dar de presente a Ana Bolena. No preço do ingresso está incluído o audio guide e é possível viajar no tempo percorrendo os aposentos reais e as famosas cozinhas da era Tudor. Você acaba imaginando com perfeição como era a vida no palácio naquela época. Destaque para o corredor assombrado pela quinta esposa de Henrique VIII, Catherine Howard, que foi decapitada na Torre de Londres, acusada de adultério. Além disso, os jardins também são magníficos! Outra boa pedida.

Viajar pela Inglaterra de carro também é show de bola. Da outra vez em que estive aqui visitei algumas cidades, como Glastonbury, que é famosa pelos festivais de música, mas também porque se acredita que é a antiga Avalon do Rei Arthur; Bath, onde foram encontradas termas romanas e onde os fãs de Jane Austen podem visitar um pequeno museu sobre a escritora; Avenbury e Stonehenge. Desta vez, um dos lugares que conheci foi Oxford, a famosa cidade universitária. Lá, na Christ Church, foram filmadas algumas cenas dos filmes de Harry Potter (prato cheio para os fãs do bruxinho!). Também visitei Canterbury, em cuja catedral morreu assassinado o arcebispo Thomas Becket, na época de Henrique II; Windsor, onde está a residência da família real; e Dover, cidade portuária em que se pode ver a França no outro lado do Canal da Mancha. Todos os passeios valem muito a pena! Se você não sabe bem o que quer ver ou pode encontrar de interessante em solo britânico fora de Londres, uma boa dica é comprar um daqueles guias da Folha, que existem no mundo inteiro e em cada país é patrocinado por uma empresa. Minha irmã é uma viciada nestes guias. Para todo lugar que viaja leva um, apontando todos os highlights. Prático, muito prático...

Para terminar, vou dar umas dicas sobre compras. Tá certo que a vida é cara em Londres e que a gente gasta em libras, quando ganha em real, mas dá para encontrar bons presentes por aqui. Uma das minhas lojas favoritas é a LillyWhites, com roupas esportivas baratérrimas!!! Sério mesmo! Fica em pleno Piccadilly Circus, perto da Virgin. Não tem como errar. Para os que gostam de livros, a Foyles é incrível! A livraria, que fica na Charing Cross Road, quase na altura da Oxford Street, tem vários andares e livros do mundo inteiro. Já para quem tem crianças, o equivalente a FAO de Nova York em Londres é a Hamleys, que fica na Regent Street, entre a Oxford Street e o Piccadilly.

Bom, com essas dicas me despeço aqui dos leitores. Espero que vocês tenham curtido tanto as colunas como eu gostei de escrevê-las. Foi uma experiência inesquecível!

Hope to see you again soon! Até a próxima.

Tuesday, August 16, 2005

Uma brasileira e um Mr. Darcy


** O texto abaixo foi publicado na Click 21 **

Quando eu penso na Inglaterra, algumas coisas básicas me vêm à cabeça. O Big Ben, a família real, Shakespeare, Wimbledon, Mr. Darcy… Mr. Darcy? Explico. Antes que alguém pense que sou uma fã desvairada de Bridget Jones, digo que sou, na verdade, uma grande fã de Jane Austen e que meu livro favorito é Pride & Prejudice (ou Orgulho e Preconceito). Quem já leu a obra ou viu a minissérie da BBC, estrelada por Colin Firth, pode entender a paixão pela história e, é claro, pelo Mr. Darcy.

O livro de Jane Austen é um clássico da literatura britânica e leitura praticamente obrigatória na Inglaterra. A minissérie produzida pela BBC há 10 anos, então, virou um marco na televisão inglesa. Ela fez tanto sucesso que marcou para sempre a carreira do ator Colin Firth. Na hora em que o programa ia ao ar, a população feminina nas ruas de Londres diminuía radicalmente, sem brincadeira! E o livro de Bridget Jones é escancaradamente baseado em Orgulho e Preconceito. A autora Helen Fielding é tão apaixonada pelo Darcy de Austen e tão fã da minissérie, que fez questão que Colin Firth fizesse o seu também, na adaptação cinematográfica de Bridget.

Bom, isso foi só uma introdução para contar que conheci, recentemente, um Mr. Darcy. Foi num evento de imprensa para a divulgação do filme “Orgulho e Preconceito”, estrelado por Keira Knightley, que estréia no Brasil no início de 2006. Já viram “Os Queridinhos da América”? Pois é, o evento foi deste tipo. Um dia inteiro num hotel de Londres, conversando com os atores e o diretor do filme. Prato cheio para uma jornalista apaixonada por escrever sobre cinema e televisão. Prato mais cheio ainda para uma fã de Austen apaixonada pelo Mr. Darcy!

Antes da entrevista coletiva, a primeira etapa foi o que no meio chamamos de round table. Os jornalistas são divididos em grupos e cada grupo fica numa mesa, num quarto ou sala do hotel. Aí, os atores ficam circulando entre os grupos, até conversar com todas as mesas. O meu grupo era formado por jornalistas internacionais e uma inglesa. Naqueles minutos de silêncio inicial, em que você finge estar conferindo suas anotações antes da entrada do primeiro entrevistado, um dos meus colegas de mesa decidiu quebrar o gelo: “Alguém tem alguma pergunta que não seja para a Keira?”, mandou, na lata. O povo se entreolhou. “Cara, eu só estou aqui para falar com ela”, disse uma jornalista da Polônia. “Eu também”, falou outra, da República Tcheca. “Bom, eu tenho uma ou duas perguntas para o diretor e para o Matthew”, disse eu, meio tímida. Afinal, eu adoro Orgulho e Preconceito e precisava descobrir se o diretor e o novo Mr. Darcy não tinham medo das comparações com a bem-sucedida minissérie. Ufa! Alívio geral. A inglesa ainda saiu com essa: “Bom, com o resto a gente vai ter que dar uma enrolada”. Fiquei com muita vontade de rir, mas me contive a tempo.

Antes da Keira entrar, conversamos com duas outras atrizes do filme, Rosamund Pike (Jane Bennet) e Brenda Blethyn (Mrs. Bennet). A entrevista com a Rosamund até que correu bem. E a matriarca da família Bennet não poderia ter sido mais simpática. Outra meia hora se passou sem que nós, da mesa, notássemos.

Quando a Keira entrou na sala, a jornalista da Polônia engatou uma sexta marcha e desembestou a fazer perguntas, uma atrás da outra, sem dar chance para ninguém mais falar. Eu fiquei com a impressão de que ela deveria trabalhar para alguma revista teen polonesa, porque as perguntas eram do tipo: “Sua mãe ainda acompanha você nas filmagens?” ou “Você ainda está sem um assistente pessoal?”. Really, who cares? Eu queria mesmo era que ela falasse sobre o filme, o personagem, os bastidores! Eu adoro uma fofoca, mas isso é Jane Austen, minha gente! Aproveitando as pausas para respirar da coleguinha polonesa, quem tinha a chance de falar primeiro fazia perguntas mais específicas sobre a película em si. E eu, que tinha até uma certa implicância com a atriz, passei a gostar mais dela a partir do momento em que fiquei sabendo que este é seu livro favorito desde os 7 anos de idade e que ela sabia de cor as falas da minissérie, de tanto que era obcecada pela produção. Identificação total!!! Gente, como a Keira é uma pessoa fofa! Babei ovo, messsmo!

Sai Keira, começa a expectativa para conversar com o novo Mr. Darcy. Tá certo que eu fiquei com um pé atrás quando vi o filme. Afinal, manter o padrão estabelecido pelo Colin Firth não é tarefa fácil. Mas Mr. Darcy é Mr. Darcy, né? E eis que entra na sala o Matthew McFayden. E a entrevista tem início. Gente, juro, o cara pode ser bom ator e pra lá de charmoso, mas foi como tirar leite de pedra. O Matthew é extremamente tímido e várias perguntas foram respondidas com monossílabos. Isso é o desespero para qualquer jornalista! Quando perguntei qual era a expectativa dele em relação à reação do público e se ele tinha medo das comparações com o Darcy do Colin Firth, ele simplesmente respondeu “não”. Hãaa, pode elaborar por favor? “Não vi a minissérie, não vi nenhuma das adaptações anteriores. Não tenho expectativas.” Largo aqui o meu já característico “fala séeeeerio!”. O resultado de tantas respostas suscintas foram longas pausas sem perguntas, daquelas bem constrangedoras, em que todo mundo olha para o seu bloquinho, sem saber o que falar em seguida.

Num desses momentos akwards, um dos jornalistas, que não tinha aberto a boca até o momento, mandou a pergunta mais banal de todas, só para quebrar o silêncio que começava a incomodar: “Quer dizer que você faz teatro, TV e cinema?”. Todos os olhos voltados para o Matthew, esperando, como se ele fosse responder algo extraordinário. E ele: “pois é”. Fiquei com vontade de me esconder embaixo da mesa. Eu não parava de olhar disfarçadamente para o relógio para ver se faltava muito para terminar. E assim a entrevista seguiu (tenho a impressão de que foi a mais longa do dia!). Quando finalmente o tempo acabou e ele saiu da sala, escoltado pela moça da organização, todo mundo começou a falar ao mesmo tempo. Falar não, desabafar. A jornalista tcheca revirou os olhos e a repórter inglesa só faltou bater com a testa na mesa. “Achei que não ia terminar nunca!”, soltou. Tadinho, o Matthew até que teve boa vontade, mas estava completamente desconfortável neste tour de imprensa para divulgar o filme. Isso deu para perceber claramente!

O último entrevistado do dia foi o diretor, Joe Wright. Aí o ambiente ficou descontraído novamente. O Joe é um daqueles caras engraçados, que gosta de fazer piada a todo momento. Me diverti com ele dizendo que nunca tinha lido o livro (que achava muito de “mulherziiinha”) e, quando recebeu o roteiro, o levou para um pub para analisar. Entre uma cerveja e outra e muito cigarro, leu o script inteirinho e chorou no final. “Chorei”, confessou. “Só não sei se foi por causa do roteiro ou efeito da bebida”, completou, arrancando risos da mesa toda. Depois disso, resolveu ler o livro e descobriu que a obra de Jane Austen é um retrato fiel da realidade da época. E continua atual, mesmo nos dias de hoje. Ele simplesmente se apaixonou pela história. Hum, entendo perfeitamente o que você quer dizer, meu caro...

No fim das contas, me diverti bastante nesta primeira experiência cinematográfica internacional. E, para terminar a coluna, faço minhas as palavras de Keira Knightley: “Orgulho e Preconceito” é uma história sobre amadurecimento, erros cometidos no meio do caminho e o encontro do primeiro amor. Para quem não conhece esta obra-prima de Jane Austen, já é motivo suficiente para assistir ao filme. Já para os fãs da autora, é programa simplesmente obrigatório! :-)

See you soon.

Thursday, August 04, 2005

Uma brasileira no West End londrino


** Coluna publicada na Click 21 **

Todo período de alta temporada, uma série de atores hollywoodianos invade o West End londrino, o vale do silício das artes dramáticas e musicais de Londres, concorrente direto da Broadway de Nova York. Não foi diferente neste verão inglês. Além das celebridades do showbiz, novos musicais entraram em cartaz com a promessa de arrasar nas bilheterias. E eu, como boa fã do teatro cantado, séries de TV e cinemão blockbuster, pareço mais uma mosca no mel com tantas opções culturais e estelares à minha disposição. E haja libras para sustentar o vício!

O que primeiro me chamou a atenção quando cheguei em Londres, há quase 3 meses, foi saber que o David Schwimmer, mais conhecido como o Ross de Friends, estava em cartaz com a peça Some Girls. Comichão nas mãos, libras preciosas correndo perigo! Me segurei em cima do salto e pedi calma a mim mesma. Muita calma nessa hora! Não precisa ser tão afobada, tentei convencer a minha pessoa. Primeiro, eu tinha que colocar minhas finanças em ordem, afinal não estou aqui turistando. Fiu! Minha arte de convencimento Jedi (sorry, empolgação por causa do Episódio III!) funcionou e relaxei. Mas não por muito tempo. Bastou minha irmã caçula aparecer em Londres para fazer uma visita agora em julho para eu abrir o bolso e conferir a peça. O espetáculo é legal, mas vale mais por ver um dos Friends no palco. O gozado foi ouvir os suspiros e os “ooohs” da mulherada assim que ele apareceu em cena. Realmente, não é sempre que se vê um Ross ao vivo e a cores!

Aí descobri a outra bomba (para o meu bolso!): Ewan McGregor, ele mesmo, o Obi-Wan em carne e osso, estava de volta aos palcos londrinos como a estrela de Guys & Dolls. E debutando num papel musical, depois de 6 anos afastado do teatro. O personagem de Ewan é o gângster Sky Masterson, que foi imortalizado no cinema por Marlon Brando na década de 50. Ao lado do astro, uma conhecida dos seriemaníacos: a atriz Jane Krakowski, a secretária tarada de Ally McBeal. Quem viu McGregor soltar a voz ao lado de Nicole Kidman em “Moulin Rouge”, pode esperar uma grande espetáculo, não é mesmo? Nova comichão nas mãos. Exercícios de respiração. Não funcionou. Não posso deixar Londres sem ver o Ewan! Resultado: já garanti meu ingresso para o fim de agosto (estava tudo esgotado pelos próximos dois meses). O mais caro, na fila F, na cara do palco. Ele merece, quer dizer, EU MEREÇO! Mas pobre do meu bolsinho...

Li em algum lugar uma entrevista em que Ewan McGregor avisou que não ia assinar nenhuma lembrança de Guerra nas Estrelas na porta do teatro. Só programas do musical. Humpf, diria uma amigo meu, maluco pela saga de Star Wars. Já com planos de babar o ovo dele na saída do elenco do teatro, descobri que, por causa dos atentados em Londres, o cast não está mais tirando fotos, nem assinando autógrafos depois do espetáculo. Se isso durar até o fim de agosto, o jeito vai ser me contentar com ele ao vivo no palco - se o universo não conspirar e o Ewan não for substituído por causa de um problema de saúde qualquer no dia! Seria muita lei de Murphy mesmo!

Quem também pintou nos palcos londrinos esta temporada foi a eterna pretty baby Brooke Shields, que voltou às manchetes da imprensa internacional recentemente por causa do bate-boca com Tom Cruise (sempre ele!). Abre parênteses. Como se não bastasse o moçoilo torrar nossa paciência com as exageradas (e ridículas) demonstrações de amor pela Katie-coitada-Holmes, ele deu para meter o nariz onde não é chamado. O que o Sr. Cruise entende de depressão pós-parto para criticar a atriz por tomar remédios? Fala séeeerio! Sorry pelo desabafo, mas ele já está me dando nos nervos. Fecha parênteses. Voltando para o teatro, Brooke Shields fez uma curta temporada em Londres, que terminou no fim de julho, como Roxie Hart em Chicago. Eu, que já havia conferido o desempenho da moça nos palcos como a Riso de Grease, estava seriamente cogitando ir assistir a Chicago novamente. Aproveitei que a minha irmã e meu amigo João, meu eterno Robin, estavam na pilha e fui. Mas no dia a Brooke Shields estava afônica e foi substituída pela pior atriz que encontraram em Londres. Cara, a mulher era péssima! Mas a noite não foi de todo mal. O João descobriu que um colega de academia trabalhava no teatro e ele colocou a gente para assistir ao musical daqueles camarotes-balcões que ficam perto do palco. Foi show de bola!

Ainda da leva de celebridades hollywoodianas, Val Kilmer é a estrela da peça The Postman Always Rings Twice. Mas há muitos outros espetáculos em Londres que valem a pena ser vistos, mesmo sem nomes estelares no elenco: Mamma Mia (com trilha do Abba!), The Producers (o ator que substituiu o Matthew Broderick parece uma cópia dele no palco!), Les Miserables (que já não está mais em cartaz em Nova York), o novíssimo Billy Eliott, Saturday Night Fever, A Ratoeira (baseado no livro da Agatha Christie, o espetáculo está há 53 anos em cartaz em Londres), The Lion King, Mary Poppins, Stomp...

Enfim, Londres é um prato cheio para os amantes da arte, não só da sétima arte. E eu decidi finalmente que não dá para resistir. Vou mesmo respirar teatro nesse verão londrino. Pelo menos enquanto o bolso agüentar!

See you soon.

Friday, July 22, 2005

Uma brasileira encontra o Sr. Fantástico... ou quase!


** Coluna publicada na Click 21 **

Começo essa coluna confessando uma coisa, um hábito horrível que adquiri aqui em Londres. Virei uma viciada... em premieres!!! É triste, eu sei. E ainda corro o risco de ficar repetitiva. Daqui a pouco, nem os meus amigos vão me agüentar mais.

Só esta semana, fui a duas. A primeira delas foi a de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Abro um parênteses aqui para dizer que eu faço parte do grupo de ex-crianças traumatizadas por este filme. Ele sempre me deu aflição, sei lá o porquê. É um mistério, algo irracional. Mas bastou assistir ao trailer do remake para ser convencida a dar uma nova chance para a história. E o motivo tem nome: Johnny Depp (vou ver qualquer porcaria que ele faça, não interessa se for Gigli 2!!!).

Voltando à premiere, o visual do evento foi show de bola, ou melhor, de açúcar. A organização transformou a praça do Leicester Square numa filial da fábrica de Willy Wonka. Das árvores e da grama à estátua central, tudo ganhou decoração especial, um tanto, digamos, adocicada. Os convidados tinham que atravessar uma passarela montada na praça decorada, como se fosse um passeio por um bosque recheado de doces, até chegar à porta do cinema Odeon. Pensando bem, seria mais show de bola ainda se tivessem distribuído chocolate de graça para a platéia. Hum… Just my 2 cents!

Lógico que eu, como 99,99% dos mortais que lotaram a praça, queria ver o Johnny Depp de perto. A frustração é que eu, pelo menos, acabei não vendo muita coisa do ponto onde estava, perto da entrada do cinema. O Senhor-sou-muito-estrela-Depp fez o favor de cruzar em passos rápidos o fim da passarela, sem ao menos dar uma olhadinha para aquele povo que se acotovelava, gritando por ele. Fala séeeeerio!! Nem um tchauzinho... Tá certo que ele não tem lá muita paciência para esse tipo de evento, mas ganha para isso, né? Desapontou a galera. Meu consolo é que deu para ver um outro queridinho meu, e, este sim, foi muuuito mais simpático com o povão. Ewan McGregor também marcou presença, mas teria passado despercebido (estava de boina e óculos escuros), se não tivesse sido descoberto por um fã mais afoito, que começou a chamar por ele. Em vez de ignorar e seguir em frente como o Sr. Depp, Ewan parou, voltou um pouquinho e acenou, sorrindo – aquele sorriso a-r-r-a-s-a-d-o-r que só ele tem (McGregor que me aguarde no fim de agosto, porque já garanti meu ingresso para assistir a Guys & Dolls, musical que ele estrela no West End londrino, lá na fila do gargarejo!).

A segunda premiere, no dia seguinte, tinha tudo para ser mais divertida. Era a hora dos 4 Fantásticos. Dessa vez, nenhum trauma de infância. Eu até era fã do desenho quando criança e, confesso, apaixonada por um dos personagens. Bem, deu para perceber pelo título da coluna que a quedinha era (ou ainda é) pelo Sr. Fantástico. E agora ele me aparece na telona na pele do Ioan Gruffudd??? Quase tive um ataque do coração!!!

Cheguei cedo para escolher um bom lugar, desta vez com a minha irmã a tiracolo (ela queria ver o Julian McMahon, o Dr. Doom, mais conhecido como o Dr. Christian Troy de Nip Tuk, mas ficou a ver navios. Ele não apareceu!). Tudo estava correndo às mil maravilhas. Boa visão do palco armado num dos cantos da rua para a entrevista com os atores, lugar na grade perto das câmeras (o cast ia ter que passar bastante tempo na minha frente falando com as redes de TV!), tempo bem mais fresquinho em comparação ao calorão do dia anterior... Eu já até comprei minha máquina digital – com zoom potente e tudo - para registrar estes momentos hollywoodianos que ando vivendo aqui em Londres. As perspectivas estavam todas a favor.

Vocês vão me achar louca, eu sei, mas eu esperei, e bem. Horas. Muitas horas. Agüentando firme. Tá, vou confessar logo: foram 7 horas! Sete horas no Leicester Square para ver o Sr. Fantástico. Ou melhor, o Ioan Gruffudd, de perto. Esqueça Jessica Alba, Michael Chiklis e Chris Evans. Eu queria ver mesmo era o Ioan. E – sorrisos – ele foi o primeiro a chegar. Mas foi só ele colocar o pé fora do carro para a chuva desabar. Um toró daqueles, sem brincadeira! Todo mundo começou a abrir os guarda-chuvas e uma assessora do Ioan Gruffudd estava com um ENORME, que escondia ele quase todo. FALA SÉEERIO!!! Acabei vendo mais o corpo do Sr. Fantástico do que qualquer outra coisa. E de costas, porque ele ficava virado para as câmeras de TV, é lógico. Como desgraça pouca é bobagem, a bateria da minha câmera acabou. Não é piada. Acabou! Eu simplesmente não carreguei antes de sair de casa. Vocês podem imaginar o mau humor que eu fiquei, não é mesmo? A sorte é que a minha irmã estava com a filmadora e registrou os momentos para a posteridade, incluindo a minha cara de tacho. Pelo menos isso.

Parece mesmo brincadeira, mas todos os outros Fantásticos – Miss Alba, Chris e Michael – apareceram na minha frente (cara a cara mesmo!) e até autografaram os quadrinhos e camisetas do pessoal simpático que estava do meu lado. Mas o Sr. Fantástico que era bom, neca de pitibiriba!

Mas o pior da noite eu ainda não contei. Estávamos, eu e minha irmã, “assistindo” ao desfile de celebridades no tapete azul (a cor do uniforme dos 4 Fantásticos), quando um garotinho chegou até a grade, do nada, e perguntou se queríamos dois ingressos para assistir ao filme na premiere. Como assim? What? Really?! Claaaaro!!!! Free tickets, beleza! Mas o azar foi que o segurança-chefe do evento viu. E aqui não existe essa de jeitinho brasileiro. Os caras são ruins de jogo. Mesmo! O segurança se aproximou da gente e disse que não poderíamos entrar com aqueles ingressos, porque não tínhamos sido oficialmente convidadas. Eles só serviam como souvenir. O-fi-ci-al-men-te convidadas. Dá para acreditar na baboseira? E ele ficou ali parado, na nossa frente, vigiando se a gente ia tentar entrar com os tíquetes. Carrapato total até o final.

Bom, eu, que não gosto de me aborrecer e não me importo de pagar ingresso para assistir ao filme, achei graça da situação. Surreal tanta vigilância! Acho que devo ter cara de terrorista. Ou de alguém com planos maquiavélicos de agarrar o Ioan Gruffudd!

Mas tudo bem, porque as estrelas da fita nem chegaram a esquentar o bumbum na poltrona. Assim que o filme começou no teatro, os 4 Fantásticos estrategicamente deixaram o local, entrando nos carros que estavam estacionados em frente ao cinema. Pelo menos deu para suspirar uma última vez pelo Sr. Fantástico. E carregar para casa a cara dele estampada num pôster, que eu, educadamente e com muita graça, arranquei da grade. Já é mais uma história para contar para os netos.

See you soon ;-)

Thursday, July 14, 2005

Uma brasileira e a Londres pós-atentados


** Publicada na Click21 **

A coluna desta semana já estava praticamente pronta. Ia falar sobre teatro. Até que aconteceram os atentados em Londres...

Os atentados de Londres. Uma semana depois, ainda é esquisito pensar nisso. E eu estou aqui, vivendo a História de perto. Acho que essa vai ser uma daquelas situações em que você lembra para sempre o que estava fazendo quando recebeu a notícia. Tipo aquelas pessoas que se recordam exatamente onde estavam quando ouviram que Kennedy foi assassinado. Ou que o Ayrton Senna tinha morrido.

Bom, eu estava assistindo à novela (Alma Gêmea, me tornei uma addicted!) com a minha irmã na Globo Internacional, quando meu cunhado ligou para casa para contar o que aconteceu. Nós tínhamos planos de sair naquela quinta-feira para fazer compras. Claro que imediatamente mudamos de idéia.

No começo foi tudo meio estranho. Aos poucos, a ficha foi caindo. Exatamente como nos ataques às torres gêmeas de Nova York. Olhos vidrados na TV. Ninguém sabia o que estava acontecendo direito. Assim como no 11 de setembro americano, a vontade que eu tinha era de sair às ruas e testemunhar aquilo de perto. Acho que deve ser essa sensação de vivenciar a História ao vivo e a cores que faz um jornalista sonhar em se tornar correspondente de guerra. Mas, no meu caso, o medo falou mais alto e, seguindo as orientações da Scotland Yard, resolvi ficar bem quietinha onde estava, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

Depois do choque inicial, minha primeira reação foi ligar para minha família no Brasil para avisar que estava tudo bem. Em seguida, telefonei para os amigos que moram em Londres, para verificar se estavam todos a salvo. A falta de recepção dos celulares prolongou a angústia por um tempinho. Mas o alívio veio logo. No meu caso, pelo menos. Não se pode falar o mesmo de quem tinha alguém que amava ou conhecia na hora e no lugar errados.

Foi meio estranho ver como os ingleses se comportaram na crise. Até mesmo surpreendente. Não houve pânico. É claro que Londres já aguardava ser alvo de um ataque terrorista (era algo que vinha tirando há muito tempo o sono de Tony Blair), mas eu não esperava ver tanta resignação. Houve, claro, o choque, a repulsa. Afinal, um ataque violento destes contra pessoas comuns não faz qualquer sentido para povos civilizados. Só que a situação esteve bem longe de lembrar a atmosfera causada pelo ataque a Nova York, em 2001. Os britânicos se comportaram com tranquilidade e agiram racionalmente (pelo menos até o fim de semana, quando algumas mesquitas do Reino Unido sofreram com a ação de alguns vândalos ignorantes). Não é novidade para os ingleses serem atacados em seu próprio território. Basta lembrar dos atentados do IRA, numa época nem tão distante assim. Eles estavam preparados para emergências deste tipo. A cidade simplesmente se comprometeu a não parar. E realmente não parou.

Na tarde de quinta-feira, resolvi sair à rua para sentir o clima e conferir as reações das pessoas. Algumas lojas estavam abertas. Nas que vendiam aparelhos de TV, tinha gente acompanhando as últimas notícias. Ouvia-se sirenes a todo momento e o policiamento foi reforçado nas portas das estações. Os escritórios liberaram os funcionários mais cedo. Sem metrô, muita gente teve que voltar para casa de ônibus, que circulavam cheios, ou até a pé. Nas ruas lotadas, rostos sérios, mas também gente já seguindo em frente com a rotina diária, inclusive fazendo seu cooper de fim de tarde.

No dia seguinte, fora as áreas onde explodiram as bombas, parecia que nada tinha acontecido na cidade. Eu estava com viagem marcada para a França e embarquei na estação de Waterloo, uma das mais movimentadas de Londres. Por um momento, até me esqueci do que aconteceu na véspera. O que nos lembrava que havia algo de diferente eram as longas filas antes do embarque, para a checagem da bagagem nas máquinas de raio-x, e o maior número de policiais. Cuidados redobrados em hora de alerta de segurança máximo.

Pouco a pouco, Londres vai se recuperando da tragédia. O primeiro-ministro, Tony Blair, ressaltou bem a intenção dos britânicos em não deixar o terrorismo, nem o medo, vencerem. A cidade retoma sua rotina. Tem que ser assim.

Agora é torcer para que a eficiente calma dos ingleses na hora de enfrentar a crise não se transforme em mais uma arrogante missão de guerra. Nada de seguir o (mau) exemplo de Mr. Bush e cia! A última coisa que o povo de Londres quer é que a cidade mais multicultural do planeta sirva de estopim para uma nova ação insana dos poderosos que se acham donos do mundo.

A gente quer viver em paz. Será que é pedir muito?

Sunday, June 26, 2005

Uma brasileira em Wimbledon



** Mais uma coluna publicada na Click21 **

Começo a coluna avisando que ainda não tenho certeza se o que vou relatar abaixo aconteceu mesmo ou se imaginei tudo. Ainda estou me beliscando até agora. Sabe aquele sonho que você tem, mas possui pouca esperança de realizar um dia? Daqueles em que você diz “quando (gosto de brincar de Pollyanna, é QUANDO e não SE) eu ganhar na loteria, eu vou...” Pois é, eu realizei um desses aqui em Londres: fui a um torneio de Grand Slam!! E logo no mais charmoso deles, o de Wimbledon!

Minha companhia dessa vez foi outro amigo, o Diego, que é um verdadeiro aficcionado por tudo que é esporte. Viciado mesmo. Se estiver passando campeonato de porrinha ou de cuspe à distância na TV, acho que o Diego vê! Bom, ele estava na maior pilha para ir a Wimbledon e me ligou no segundo dia do torneio para perguntar se eu topava a aventura. Aventura porque tudo indicava que seria um perrengue só conseguir entrar! A gente não tinha ingresso e está fazendo um calorão em Londres (o verão finalmente chegou por aqui). O Diego já foi logo preparando o meu espírito no telefonema matinal. “Olha, tem gente que dorme na fila no dia anterior. A gente pode esperar horas para entrar, se é que vai entrar”. Okey dokey, nem precisei pensar duas vezes. Afinal, pra quem já enfrentou fila da Disney em julho e marcou presença no Rock in Rio em pleno verão carioca, encarar um filão no calor inglês seria fichinha.

Antes de iniciar a viagem, fizemos uma sessão rápida de compras, tipo sanduíche, água e biscoito. Aquela coisa básica e farofeira que você leva quando vai ao Maracanã, por exemplo (bom, eu pelo menos levo). Para chegar em Wimbledon, tivemos que pegar um trem (eu ainda encarei um metrô camarada, que não tem nem ventilador) e um ônibus da organização do evento até o complexo. Chegando no local, o que se via era gente e fila para tudo quanto é lado. Fila pra quem tinha ingresso, pra quem ainda ia comprar, pra pegar o cartão que te dava o direito de entrar na fila de quem ainda ia comprar (esta é surreal!), ... A gente chegou a entrar em duas, antes de descobrir qual era a certa no nosso caso.

Lugar garantido na fila certa, teve início o período de espera. O que acontece em Wimbledon é o seguinte: chega uma hora em que o complexo fica cheio. Aí, só entra mais gente à medida que outras tantas pessoas saem. Só depois de quase duas horas sob o sol quente e já de barriga cheia (almoçamos por ali mesmo, em pé), é que a fila da bilheteria finalmente começou a andar.

Na hora de comprar o ingresso, é preciso escolher a que quadras se quer ter acesso. Das quadras 3 a 19 é o chamado ground floor. É o ingresso básico e custa 16 libras antes das 17h (depois, o preço cai para 10). A quadra central, a 1 e a 2, onde jogam as maiores estrelas do circuito, custam mais caro. O ingresso dá direito a escolher uma delas e ainda ter acesso a todo ground floor. O legal de ir na primeira semana de torneio é que você tem chances de ver um jogador top fora das quadras principais, pagando o ingresso mais barato. O que, convenhamos, é a melhor pedida para quem ganha em Real.

No momento em que pisei dentro do complexo, quase chorei. Eu e o Diego olhávamos um para o outro e ao nosso redor sem acreditar que realmente estávamos em Wimbledon. Nesta fase de deslumbramento inicial, ficamos entrando e saindo de várias quadras, sem nos importarmos com quem estava jogando e sem esquentar a bunda na cadeira muito tempo. Foi assim até que decidimos perder um tempinho em frente ao placar que indicava os jogos do dia e planejar o que iríamos assistir. Eu queria mesmo é ter visto o Ricardo Mello, que foi derrotado na véspera, porque é sempre mais divertido torcer por um brasileiro. Mas descobrimos que o coração brazuca ia ter uma chance de torcer pela pátria naquele dia, já que o André Sá disputaria o torneio de duplas no fim da tarde, ao lado do paraguaio Ramón Delgado. Anotamos mentalmente o horário para marcar presença.

De olho no painel novamente, decidimos ver o jogo do Tommy Haas e, de quebra, espiar a partida da quadra ao lado, do Fabrice Santoro. Pegamos uma filinha básica na entrada da quadra, esperando o jogo da Davenport acabar para o povo sair. Vinte minutos depois, estávamos sentadinhos na arquibancada para acompanhar nosso primeiro jogo do dia. Mas olha a frustração: não é que o Haas me pisa numa bolinha na hora do aquecimento e machuca o pé? Resultado, abandonou o jogo depois de perder o primeiro set. E trata de arrumar as coisas e partir para outra quadra. Não se pode perder tempo em Wimbledon!

Uma das coisas mais legais em Wimbledon – fora cruzar a todo momento com os tenistas “em trânsito” - é a diversidade das quadras do complexo. Existem as que parecem um estádio mesmo, como a quadra central e a número 1. Mas em algumas só há 3 fileiras de cadeiras de cada lado e você assiste ao jogo praticamente dentro dela, quase cara a cara com o jogador! Outra coisa é que mesmo não se tendo acesso aos jogos principais, pode-se acompanhar as partidas pelo telão do lado de fora da quadra 1, fazendo piquenique na grama. É muito divertido! Naquele dia, o inglês Tim Henman estava jogando e a partida durou horas. Um enxame de pessoas (a palavra é bem essa mesma) lotou a colina em frente ao telão para acompanhar o jogo. Parecia a final de Wimbledon, com direito a muitos aaaahhhs e ooohhhhs nos erros do inglês, gritos de incentivo e aplausos nas jogadas certeiras. “Go, Tim!”, gritavam a todo momento os conterrâneos de Henman. E ele ganhou o jogo, para delírio do povo da colina.

De olho na hora para não perder a partida do André Sá, demos uma nova volta pelo complexo, que mais parecia um formigueiro humano no fim da tarde, com gente circulando por todo o lado. Ainda por conta da emoção de estar em Wimbledon, eu pensava no meu pai, outro viciado em tênis e companheiro no jogo da Pollyanna com a loteria (a gente tem altos planos de correr o mundo acompanhando tudo quanto é evento esportivo QUANDO um dos dois ganhar na Mega-Sena!). Cara, ele ia adorar isso!

O André e o Ramón jogaram contra uma dupla tcheca na quadra 16, uma daquelas que só tem três fileiras de cada lado e você chega a ver até a obturação do jogador de tão perto que está dele. Identifiquei apenas outro brasileiro na torcida, além de mim e do Diego, por causa dos “Vamos” e “Boa” que ele soltava de vez em quando. Tinha ainda duas senhoras inglesas que eram fãs de carteirinha do André. Não havia um só momento do saque sul-americano que a gente não ouvisse o “Go, Aandreee” e o “Go, Rayyymon”, com sotaque bem carregado britânico. O gozado é que no meio da partida elas mudaram a pronúncia dos nomes, de tanto ouvir a gente falar também. Como nem tudo é perfeito, o André e o Ramón perderam nesta minha primeira visita ao templo mais charmoso do tênis mundial. =( Mas eu, que já estou ficando descolada e assumindo de vez meu lado tiete aqui em Londres, pedi para os dois autografarem meu guia de Wimbledon. Vocês acham que eu ia perder essa chance?

Para fechar o dia com chave de ouro, demos um jeitinho de entrar na quadra 1, mesmo sem ter o ingresso especial. E, como dois fãs embasbacados, ainda acompanhamos um pedaço do jogo do Grosjean e do Llodra, antes dele ser suspenso pela falta de luz natural. Na quadra 1! QUADRA 1!!! Alguém me belisca, que eu ainda não estou acreditando!

Saímos do complexo por volta das nove da noite, leves, sorrindo de orelha a orelha. E já tinha uma galera acampada do lado de fora, de olho nos ingressos do dia seguinte. Uma fila de cadeiras, sacos de dormir, i-pods e pizzas. Tudo pronto para uma looonga noite de espera. “Deve ter um disk-pizza só para a fila de Wimbledon”, brincou o Diego.

Só não comemos o tal do morango com creme, tradição de Wimbledon. Este vai ficar para a próxima. QUANDO eu voltar aqui com o meu pai, gastando a grana da loteria. ;-)

See you soon.