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Thursday, August 04, 2005

Uma brasileira no West End londrino


** Coluna publicada na Click 21 **

Todo período de alta temporada, uma série de atores hollywoodianos invade o West End londrino, o vale do silício das artes dramáticas e musicais de Londres, concorrente direto da Broadway de Nova York. Não foi diferente neste verão inglês. Além das celebridades do showbiz, novos musicais entraram em cartaz com a promessa de arrasar nas bilheterias. E eu, como boa fã do teatro cantado, séries de TV e cinemão blockbuster, pareço mais uma mosca no mel com tantas opções culturais e estelares à minha disposição. E haja libras para sustentar o vício!

O que primeiro me chamou a atenção quando cheguei em Londres, há quase 3 meses, foi saber que o David Schwimmer, mais conhecido como o Ross de Friends, estava em cartaz com a peça Some Girls. Comichão nas mãos, libras preciosas correndo perigo! Me segurei em cima do salto e pedi calma a mim mesma. Muita calma nessa hora! Não precisa ser tão afobada, tentei convencer a minha pessoa. Primeiro, eu tinha que colocar minhas finanças em ordem, afinal não estou aqui turistando. Fiu! Minha arte de convencimento Jedi (sorry, empolgação por causa do Episódio III!) funcionou e relaxei. Mas não por muito tempo. Bastou minha irmã caçula aparecer em Londres para fazer uma visita agora em julho para eu abrir o bolso e conferir a peça. O espetáculo é legal, mas vale mais por ver um dos Friends no palco. O gozado foi ouvir os suspiros e os “ooohs” da mulherada assim que ele apareceu em cena. Realmente, não é sempre que se vê um Ross ao vivo e a cores!

Aí descobri a outra bomba (para o meu bolso!): Ewan McGregor, ele mesmo, o Obi-Wan em carne e osso, estava de volta aos palcos londrinos como a estrela de Guys & Dolls. E debutando num papel musical, depois de 6 anos afastado do teatro. O personagem de Ewan é o gângster Sky Masterson, que foi imortalizado no cinema por Marlon Brando na década de 50. Ao lado do astro, uma conhecida dos seriemaníacos: a atriz Jane Krakowski, a secretária tarada de Ally McBeal. Quem viu McGregor soltar a voz ao lado de Nicole Kidman em “Moulin Rouge”, pode esperar uma grande espetáculo, não é mesmo? Nova comichão nas mãos. Exercícios de respiração. Não funcionou. Não posso deixar Londres sem ver o Ewan! Resultado: já garanti meu ingresso para o fim de agosto (estava tudo esgotado pelos próximos dois meses). O mais caro, na fila F, na cara do palco. Ele merece, quer dizer, EU MEREÇO! Mas pobre do meu bolsinho...

Li em algum lugar uma entrevista em que Ewan McGregor avisou que não ia assinar nenhuma lembrança de Guerra nas Estrelas na porta do teatro. Só programas do musical. Humpf, diria uma amigo meu, maluco pela saga de Star Wars. Já com planos de babar o ovo dele na saída do elenco do teatro, descobri que, por causa dos atentados em Londres, o cast não está mais tirando fotos, nem assinando autógrafos depois do espetáculo. Se isso durar até o fim de agosto, o jeito vai ser me contentar com ele ao vivo no palco - se o universo não conspirar e o Ewan não for substituído por causa de um problema de saúde qualquer no dia! Seria muita lei de Murphy mesmo!

Quem também pintou nos palcos londrinos esta temporada foi a eterna pretty baby Brooke Shields, que voltou às manchetes da imprensa internacional recentemente por causa do bate-boca com Tom Cruise (sempre ele!). Abre parênteses. Como se não bastasse o moçoilo torrar nossa paciência com as exageradas (e ridículas) demonstrações de amor pela Katie-coitada-Holmes, ele deu para meter o nariz onde não é chamado. O que o Sr. Cruise entende de depressão pós-parto para criticar a atriz por tomar remédios? Fala séeeerio! Sorry pelo desabafo, mas ele já está me dando nos nervos. Fecha parênteses. Voltando para o teatro, Brooke Shields fez uma curta temporada em Londres, que terminou no fim de julho, como Roxie Hart em Chicago. Eu, que já havia conferido o desempenho da moça nos palcos como a Riso de Grease, estava seriamente cogitando ir assistir a Chicago novamente. Aproveitei que a minha irmã e meu amigo João, meu eterno Robin, estavam na pilha e fui. Mas no dia a Brooke Shields estava afônica e foi substituída pela pior atriz que encontraram em Londres. Cara, a mulher era péssima! Mas a noite não foi de todo mal. O João descobriu que um colega de academia trabalhava no teatro e ele colocou a gente para assistir ao musical daqueles camarotes-balcões que ficam perto do palco. Foi show de bola!

Ainda da leva de celebridades hollywoodianas, Val Kilmer é a estrela da peça The Postman Always Rings Twice. Mas há muitos outros espetáculos em Londres que valem a pena ser vistos, mesmo sem nomes estelares no elenco: Mamma Mia (com trilha do Abba!), The Producers (o ator que substituiu o Matthew Broderick parece uma cópia dele no palco!), Les Miserables (que já não está mais em cartaz em Nova York), o novíssimo Billy Eliott, Saturday Night Fever, A Ratoeira (baseado no livro da Agatha Christie, o espetáculo está há 53 anos em cartaz em Londres), The Lion King, Mary Poppins, Stomp...

Enfim, Londres é um prato cheio para os amantes da arte, não só da sétima arte. E eu decidi finalmente que não dá para resistir. Vou mesmo respirar teatro nesse verão londrino. Pelo menos enquanto o bolso agüentar!

See you soon.

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