Aninha´s diary

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Friday, July 22, 2005

Uma brasileira encontra o Sr. Fantástico... ou quase!


** Coluna publicada na Click 21 **

Começo essa coluna confessando uma coisa, um hábito horrível que adquiri aqui em Londres. Virei uma viciada... em premieres!!! É triste, eu sei. E ainda corro o risco de ficar repetitiva. Daqui a pouco, nem os meus amigos vão me agüentar mais.

Só esta semana, fui a duas. A primeira delas foi a de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Abro um parênteses aqui para dizer que eu faço parte do grupo de ex-crianças traumatizadas por este filme. Ele sempre me deu aflição, sei lá o porquê. É um mistério, algo irracional. Mas bastou assistir ao trailer do remake para ser convencida a dar uma nova chance para a história. E o motivo tem nome: Johnny Depp (vou ver qualquer porcaria que ele faça, não interessa se for Gigli 2!!!).

Voltando à premiere, o visual do evento foi show de bola, ou melhor, de açúcar. A organização transformou a praça do Leicester Square numa filial da fábrica de Willy Wonka. Das árvores e da grama à estátua central, tudo ganhou decoração especial, um tanto, digamos, adocicada. Os convidados tinham que atravessar uma passarela montada na praça decorada, como se fosse um passeio por um bosque recheado de doces, até chegar à porta do cinema Odeon. Pensando bem, seria mais show de bola ainda se tivessem distribuído chocolate de graça para a platéia. Hum… Just my 2 cents!

Lógico que eu, como 99,99% dos mortais que lotaram a praça, queria ver o Johnny Depp de perto. A frustração é que eu, pelo menos, acabei não vendo muita coisa do ponto onde estava, perto da entrada do cinema. O Senhor-sou-muito-estrela-Depp fez o favor de cruzar em passos rápidos o fim da passarela, sem ao menos dar uma olhadinha para aquele povo que se acotovelava, gritando por ele. Fala séeeeerio!! Nem um tchauzinho... Tá certo que ele não tem lá muita paciência para esse tipo de evento, mas ganha para isso, né? Desapontou a galera. Meu consolo é que deu para ver um outro queridinho meu, e, este sim, foi muuuito mais simpático com o povão. Ewan McGregor também marcou presença, mas teria passado despercebido (estava de boina e óculos escuros), se não tivesse sido descoberto por um fã mais afoito, que começou a chamar por ele. Em vez de ignorar e seguir em frente como o Sr. Depp, Ewan parou, voltou um pouquinho e acenou, sorrindo – aquele sorriso a-r-r-a-s-a-d-o-r que só ele tem (McGregor que me aguarde no fim de agosto, porque já garanti meu ingresso para assistir a Guys & Dolls, musical que ele estrela no West End londrino, lá na fila do gargarejo!).

A segunda premiere, no dia seguinte, tinha tudo para ser mais divertida. Era a hora dos 4 Fantásticos. Dessa vez, nenhum trauma de infância. Eu até era fã do desenho quando criança e, confesso, apaixonada por um dos personagens. Bem, deu para perceber pelo título da coluna que a quedinha era (ou ainda é) pelo Sr. Fantástico. E agora ele me aparece na telona na pele do Ioan Gruffudd??? Quase tive um ataque do coração!!!

Cheguei cedo para escolher um bom lugar, desta vez com a minha irmã a tiracolo (ela queria ver o Julian McMahon, o Dr. Doom, mais conhecido como o Dr. Christian Troy de Nip Tuk, mas ficou a ver navios. Ele não apareceu!). Tudo estava correndo às mil maravilhas. Boa visão do palco armado num dos cantos da rua para a entrevista com os atores, lugar na grade perto das câmeras (o cast ia ter que passar bastante tempo na minha frente falando com as redes de TV!), tempo bem mais fresquinho em comparação ao calorão do dia anterior... Eu já até comprei minha máquina digital – com zoom potente e tudo - para registrar estes momentos hollywoodianos que ando vivendo aqui em Londres. As perspectivas estavam todas a favor.

Vocês vão me achar louca, eu sei, mas eu esperei, e bem. Horas. Muitas horas. Agüentando firme. Tá, vou confessar logo: foram 7 horas! Sete horas no Leicester Square para ver o Sr. Fantástico. Ou melhor, o Ioan Gruffudd, de perto. Esqueça Jessica Alba, Michael Chiklis e Chris Evans. Eu queria ver mesmo era o Ioan. E – sorrisos – ele foi o primeiro a chegar. Mas foi só ele colocar o pé fora do carro para a chuva desabar. Um toró daqueles, sem brincadeira! Todo mundo começou a abrir os guarda-chuvas e uma assessora do Ioan Gruffudd estava com um ENORME, que escondia ele quase todo. FALA SÉEERIO!!! Acabei vendo mais o corpo do Sr. Fantástico do que qualquer outra coisa. E de costas, porque ele ficava virado para as câmeras de TV, é lógico. Como desgraça pouca é bobagem, a bateria da minha câmera acabou. Não é piada. Acabou! Eu simplesmente não carreguei antes de sair de casa. Vocês podem imaginar o mau humor que eu fiquei, não é mesmo? A sorte é que a minha irmã estava com a filmadora e registrou os momentos para a posteridade, incluindo a minha cara de tacho. Pelo menos isso.

Parece mesmo brincadeira, mas todos os outros Fantásticos – Miss Alba, Chris e Michael – apareceram na minha frente (cara a cara mesmo!) e até autografaram os quadrinhos e camisetas do pessoal simpático que estava do meu lado. Mas o Sr. Fantástico que era bom, neca de pitibiriba!

Mas o pior da noite eu ainda não contei. Estávamos, eu e minha irmã, “assistindo” ao desfile de celebridades no tapete azul (a cor do uniforme dos 4 Fantásticos), quando um garotinho chegou até a grade, do nada, e perguntou se queríamos dois ingressos para assistir ao filme na premiere. Como assim? What? Really?! Claaaaro!!!! Free tickets, beleza! Mas o azar foi que o segurança-chefe do evento viu. E aqui não existe essa de jeitinho brasileiro. Os caras são ruins de jogo. Mesmo! O segurança se aproximou da gente e disse que não poderíamos entrar com aqueles ingressos, porque não tínhamos sido oficialmente convidadas. Eles só serviam como souvenir. O-fi-ci-al-men-te convidadas. Dá para acreditar na baboseira? E ele ficou ali parado, na nossa frente, vigiando se a gente ia tentar entrar com os tíquetes. Carrapato total até o final.

Bom, eu, que não gosto de me aborrecer e não me importo de pagar ingresso para assistir ao filme, achei graça da situação. Surreal tanta vigilância! Acho que devo ter cara de terrorista. Ou de alguém com planos maquiavélicos de agarrar o Ioan Gruffudd!

Mas tudo bem, porque as estrelas da fita nem chegaram a esquentar o bumbum na poltrona. Assim que o filme começou no teatro, os 4 Fantásticos estrategicamente deixaram o local, entrando nos carros que estavam estacionados em frente ao cinema. Pelo menos deu para suspirar uma última vez pelo Sr. Fantástico. E carregar para casa a cara dele estampada num pôster, que eu, educadamente e com muita graça, arranquei da grade. Já é mais uma história para contar para os netos.

See you soon ;-)

Thursday, July 14, 2005

Uma brasileira e a Londres pós-atentados


** Publicada na Click21 **

A coluna desta semana já estava praticamente pronta. Ia falar sobre teatro. Até que aconteceram os atentados em Londres...

Os atentados de Londres. Uma semana depois, ainda é esquisito pensar nisso. E eu estou aqui, vivendo a História de perto. Acho que essa vai ser uma daquelas situações em que você lembra para sempre o que estava fazendo quando recebeu a notícia. Tipo aquelas pessoas que se recordam exatamente onde estavam quando ouviram que Kennedy foi assassinado. Ou que o Ayrton Senna tinha morrido.

Bom, eu estava assistindo à novela (Alma Gêmea, me tornei uma addicted!) com a minha irmã na Globo Internacional, quando meu cunhado ligou para casa para contar o que aconteceu. Nós tínhamos planos de sair naquela quinta-feira para fazer compras. Claro que imediatamente mudamos de idéia.

No começo foi tudo meio estranho. Aos poucos, a ficha foi caindo. Exatamente como nos ataques às torres gêmeas de Nova York. Olhos vidrados na TV. Ninguém sabia o que estava acontecendo direito. Assim como no 11 de setembro americano, a vontade que eu tinha era de sair às ruas e testemunhar aquilo de perto. Acho que deve ser essa sensação de vivenciar a História ao vivo e a cores que faz um jornalista sonhar em se tornar correspondente de guerra. Mas, no meu caso, o medo falou mais alto e, seguindo as orientações da Scotland Yard, resolvi ficar bem quietinha onde estava, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

Depois do choque inicial, minha primeira reação foi ligar para minha família no Brasil para avisar que estava tudo bem. Em seguida, telefonei para os amigos que moram em Londres, para verificar se estavam todos a salvo. A falta de recepção dos celulares prolongou a angústia por um tempinho. Mas o alívio veio logo. No meu caso, pelo menos. Não se pode falar o mesmo de quem tinha alguém que amava ou conhecia na hora e no lugar errados.

Foi meio estranho ver como os ingleses se comportaram na crise. Até mesmo surpreendente. Não houve pânico. É claro que Londres já aguardava ser alvo de um ataque terrorista (era algo que vinha tirando há muito tempo o sono de Tony Blair), mas eu não esperava ver tanta resignação. Houve, claro, o choque, a repulsa. Afinal, um ataque violento destes contra pessoas comuns não faz qualquer sentido para povos civilizados. Só que a situação esteve bem longe de lembrar a atmosfera causada pelo ataque a Nova York, em 2001. Os britânicos se comportaram com tranquilidade e agiram racionalmente (pelo menos até o fim de semana, quando algumas mesquitas do Reino Unido sofreram com a ação de alguns vândalos ignorantes). Não é novidade para os ingleses serem atacados em seu próprio território. Basta lembrar dos atentados do IRA, numa época nem tão distante assim. Eles estavam preparados para emergências deste tipo. A cidade simplesmente se comprometeu a não parar. E realmente não parou.

Na tarde de quinta-feira, resolvi sair à rua para sentir o clima e conferir as reações das pessoas. Algumas lojas estavam abertas. Nas que vendiam aparelhos de TV, tinha gente acompanhando as últimas notícias. Ouvia-se sirenes a todo momento e o policiamento foi reforçado nas portas das estações. Os escritórios liberaram os funcionários mais cedo. Sem metrô, muita gente teve que voltar para casa de ônibus, que circulavam cheios, ou até a pé. Nas ruas lotadas, rostos sérios, mas também gente já seguindo em frente com a rotina diária, inclusive fazendo seu cooper de fim de tarde.

No dia seguinte, fora as áreas onde explodiram as bombas, parecia que nada tinha acontecido na cidade. Eu estava com viagem marcada para a França e embarquei na estação de Waterloo, uma das mais movimentadas de Londres. Por um momento, até me esqueci do que aconteceu na véspera. O que nos lembrava que havia algo de diferente eram as longas filas antes do embarque, para a checagem da bagagem nas máquinas de raio-x, e o maior número de policiais. Cuidados redobrados em hora de alerta de segurança máximo.

Pouco a pouco, Londres vai se recuperando da tragédia. O primeiro-ministro, Tony Blair, ressaltou bem a intenção dos britânicos em não deixar o terrorismo, nem o medo, vencerem. A cidade retoma sua rotina. Tem que ser assim.

Agora é torcer para que a eficiente calma dos ingleses na hora de enfrentar a crise não se transforme em mais uma arrogante missão de guerra. Nada de seguir o (mau) exemplo de Mr. Bush e cia! A última coisa que o povo de Londres quer é que a cidade mais multicultural do planeta sirva de estopim para uma nova ação insana dos poderosos que se acham donos do mundo.

A gente quer viver em paz. Será que é pedir muito?