Aninha´s diary

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Tuesday, August 16, 2005

Uma brasileira e um Mr. Darcy


** O texto abaixo foi publicado na Click 21 **

Quando eu penso na Inglaterra, algumas coisas básicas me vêm à cabeça. O Big Ben, a família real, Shakespeare, Wimbledon, Mr. Darcy… Mr. Darcy? Explico. Antes que alguém pense que sou uma fã desvairada de Bridget Jones, digo que sou, na verdade, uma grande fã de Jane Austen e que meu livro favorito é Pride & Prejudice (ou Orgulho e Preconceito). Quem já leu a obra ou viu a minissérie da BBC, estrelada por Colin Firth, pode entender a paixão pela história e, é claro, pelo Mr. Darcy.

O livro de Jane Austen é um clássico da literatura britânica e leitura praticamente obrigatória na Inglaterra. A minissérie produzida pela BBC há 10 anos, então, virou um marco na televisão inglesa. Ela fez tanto sucesso que marcou para sempre a carreira do ator Colin Firth. Na hora em que o programa ia ao ar, a população feminina nas ruas de Londres diminuía radicalmente, sem brincadeira! E o livro de Bridget Jones é escancaradamente baseado em Orgulho e Preconceito. A autora Helen Fielding é tão apaixonada pelo Darcy de Austen e tão fã da minissérie, que fez questão que Colin Firth fizesse o seu também, na adaptação cinematográfica de Bridget.

Bom, isso foi só uma introdução para contar que conheci, recentemente, um Mr. Darcy. Foi num evento de imprensa para a divulgação do filme “Orgulho e Preconceito”, estrelado por Keira Knightley, que estréia no Brasil no início de 2006. Já viram “Os Queridinhos da América”? Pois é, o evento foi deste tipo. Um dia inteiro num hotel de Londres, conversando com os atores e o diretor do filme. Prato cheio para uma jornalista apaixonada por escrever sobre cinema e televisão. Prato mais cheio ainda para uma fã de Austen apaixonada pelo Mr. Darcy!

Antes da entrevista coletiva, a primeira etapa foi o que no meio chamamos de round table. Os jornalistas são divididos em grupos e cada grupo fica numa mesa, num quarto ou sala do hotel. Aí, os atores ficam circulando entre os grupos, até conversar com todas as mesas. O meu grupo era formado por jornalistas internacionais e uma inglesa. Naqueles minutos de silêncio inicial, em que você finge estar conferindo suas anotações antes da entrada do primeiro entrevistado, um dos meus colegas de mesa decidiu quebrar o gelo: “Alguém tem alguma pergunta que não seja para a Keira?”, mandou, na lata. O povo se entreolhou. “Cara, eu só estou aqui para falar com ela”, disse uma jornalista da Polônia. “Eu também”, falou outra, da República Tcheca. “Bom, eu tenho uma ou duas perguntas para o diretor e para o Matthew”, disse eu, meio tímida. Afinal, eu adoro Orgulho e Preconceito e precisava descobrir se o diretor e o novo Mr. Darcy não tinham medo das comparações com a bem-sucedida minissérie. Ufa! Alívio geral. A inglesa ainda saiu com essa: “Bom, com o resto a gente vai ter que dar uma enrolada”. Fiquei com muita vontade de rir, mas me contive a tempo.

Antes da Keira entrar, conversamos com duas outras atrizes do filme, Rosamund Pike (Jane Bennet) e Brenda Blethyn (Mrs. Bennet). A entrevista com a Rosamund até que correu bem. E a matriarca da família Bennet não poderia ter sido mais simpática. Outra meia hora se passou sem que nós, da mesa, notássemos.

Quando a Keira entrou na sala, a jornalista da Polônia engatou uma sexta marcha e desembestou a fazer perguntas, uma atrás da outra, sem dar chance para ninguém mais falar. Eu fiquei com a impressão de que ela deveria trabalhar para alguma revista teen polonesa, porque as perguntas eram do tipo: “Sua mãe ainda acompanha você nas filmagens?” ou “Você ainda está sem um assistente pessoal?”. Really, who cares? Eu queria mesmo era que ela falasse sobre o filme, o personagem, os bastidores! Eu adoro uma fofoca, mas isso é Jane Austen, minha gente! Aproveitando as pausas para respirar da coleguinha polonesa, quem tinha a chance de falar primeiro fazia perguntas mais específicas sobre a película em si. E eu, que tinha até uma certa implicância com a atriz, passei a gostar mais dela a partir do momento em que fiquei sabendo que este é seu livro favorito desde os 7 anos de idade e que ela sabia de cor as falas da minissérie, de tanto que era obcecada pela produção. Identificação total!!! Gente, como a Keira é uma pessoa fofa! Babei ovo, messsmo!

Sai Keira, começa a expectativa para conversar com o novo Mr. Darcy. Tá certo que eu fiquei com um pé atrás quando vi o filme. Afinal, manter o padrão estabelecido pelo Colin Firth não é tarefa fácil. Mas Mr. Darcy é Mr. Darcy, né? E eis que entra na sala o Matthew McFayden. E a entrevista tem início. Gente, juro, o cara pode ser bom ator e pra lá de charmoso, mas foi como tirar leite de pedra. O Matthew é extremamente tímido e várias perguntas foram respondidas com monossílabos. Isso é o desespero para qualquer jornalista! Quando perguntei qual era a expectativa dele em relação à reação do público e se ele tinha medo das comparações com o Darcy do Colin Firth, ele simplesmente respondeu “não”. Hãaa, pode elaborar por favor? “Não vi a minissérie, não vi nenhuma das adaptações anteriores. Não tenho expectativas.” Largo aqui o meu já característico “fala séeeeerio!”. O resultado de tantas respostas suscintas foram longas pausas sem perguntas, daquelas bem constrangedoras, em que todo mundo olha para o seu bloquinho, sem saber o que falar em seguida.

Num desses momentos akwards, um dos jornalistas, que não tinha aberto a boca até o momento, mandou a pergunta mais banal de todas, só para quebrar o silêncio que começava a incomodar: “Quer dizer que você faz teatro, TV e cinema?”. Todos os olhos voltados para o Matthew, esperando, como se ele fosse responder algo extraordinário. E ele: “pois é”. Fiquei com vontade de me esconder embaixo da mesa. Eu não parava de olhar disfarçadamente para o relógio para ver se faltava muito para terminar. E assim a entrevista seguiu (tenho a impressão de que foi a mais longa do dia!). Quando finalmente o tempo acabou e ele saiu da sala, escoltado pela moça da organização, todo mundo começou a falar ao mesmo tempo. Falar não, desabafar. A jornalista tcheca revirou os olhos e a repórter inglesa só faltou bater com a testa na mesa. “Achei que não ia terminar nunca!”, soltou. Tadinho, o Matthew até que teve boa vontade, mas estava completamente desconfortável neste tour de imprensa para divulgar o filme. Isso deu para perceber claramente!

O último entrevistado do dia foi o diretor, Joe Wright. Aí o ambiente ficou descontraído novamente. O Joe é um daqueles caras engraçados, que gosta de fazer piada a todo momento. Me diverti com ele dizendo que nunca tinha lido o livro (que achava muito de “mulherziiinha”) e, quando recebeu o roteiro, o levou para um pub para analisar. Entre uma cerveja e outra e muito cigarro, leu o script inteirinho e chorou no final. “Chorei”, confessou. “Só não sei se foi por causa do roteiro ou efeito da bebida”, completou, arrancando risos da mesa toda. Depois disso, resolveu ler o livro e descobriu que a obra de Jane Austen é um retrato fiel da realidade da época. E continua atual, mesmo nos dias de hoje. Ele simplesmente se apaixonou pela história. Hum, entendo perfeitamente o que você quer dizer, meu caro...

No fim das contas, me diverti bastante nesta primeira experiência cinematográfica internacional. E, para terminar a coluna, faço minhas as palavras de Keira Knightley: “Orgulho e Preconceito” é uma história sobre amadurecimento, erros cometidos no meio do caminho e o encontro do primeiro amor. Para quem não conhece esta obra-prima de Jane Austen, já é motivo suficiente para assistir ao filme. Já para os fãs da autora, é programa simplesmente obrigatório! :-)

See you soon.

Thursday, August 04, 2005

Uma brasileira no West End londrino


** Coluna publicada na Click 21 **

Todo período de alta temporada, uma série de atores hollywoodianos invade o West End londrino, o vale do silício das artes dramáticas e musicais de Londres, concorrente direto da Broadway de Nova York. Não foi diferente neste verão inglês. Além das celebridades do showbiz, novos musicais entraram em cartaz com a promessa de arrasar nas bilheterias. E eu, como boa fã do teatro cantado, séries de TV e cinemão blockbuster, pareço mais uma mosca no mel com tantas opções culturais e estelares à minha disposição. E haja libras para sustentar o vício!

O que primeiro me chamou a atenção quando cheguei em Londres, há quase 3 meses, foi saber que o David Schwimmer, mais conhecido como o Ross de Friends, estava em cartaz com a peça Some Girls. Comichão nas mãos, libras preciosas correndo perigo! Me segurei em cima do salto e pedi calma a mim mesma. Muita calma nessa hora! Não precisa ser tão afobada, tentei convencer a minha pessoa. Primeiro, eu tinha que colocar minhas finanças em ordem, afinal não estou aqui turistando. Fiu! Minha arte de convencimento Jedi (sorry, empolgação por causa do Episódio III!) funcionou e relaxei. Mas não por muito tempo. Bastou minha irmã caçula aparecer em Londres para fazer uma visita agora em julho para eu abrir o bolso e conferir a peça. O espetáculo é legal, mas vale mais por ver um dos Friends no palco. O gozado foi ouvir os suspiros e os “ooohs” da mulherada assim que ele apareceu em cena. Realmente, não é sempre que se vê um Ross ao vivo e a cores!

Aí descobri a outra bomba (para o meu bolso!): Ewan McGregor, ele mesmo, o Obi-Wan em carne e osso, estava de volta aos palcos londrinos como a estrela de Guys & Dolls. E debutando num papel musical, depois de 6 anos afastado do teatro. O personagem de Ewan é o gângster Sky Masterson, que foi imortalizado no cinema por Marlon Brando na década de 50. Ao lado do astro, uma conhecida dos seriemaníacos: a atriz Jane Krakowski, a secretária tarada de Ally McBeal. Quem viu McGregor soltar a voz ao lado de Nicole Kidman em “Moulin Rouge”, pode esperar uma grande espetáculo, não é mesmo? Nova comichão nas mãos. Exercícios de respiração. Não funcionou. Não posso deixar Londres sem ver o Ewan! Resultado: já garanti meu ingresso para o fim de agosto (estava tudo esgotado pelos próximos dois meses). O mais caro, na fila F, na cara do palco. Ele merece, quer dizer, EU MEREÇO! Mas pobre do meu bolsinho...

Li em algum lugar uma entrevista em que Ewan McGregor avisou que não ia assinar nenhuma lembrança de Guerra nas Estrelas na porta do teatro. Só programas do musical. Humpf, diria uma amigo meu, maluco pela saga de Star Wars. Já com planos de babar o ovo dele na saída do elenco do teatro, descobri que, por causa dos atentados em Londres, o cast não está mais tirando fotos, nem assinando autógrafos depois do espetáculo. Se isso durar até o fim de agosto, o jeito vai ser me contentar com ele ao vivo no palco - se o universo não conspirar e o Ewan não for substituído por causa de um problema de saúde qualquer no dia! Seria muita lei de Murphy mesmo!

Quem também pintou nos palcos londrinos esta temporada foi a eterna pretty baby Brooke Shields, que voltou às manchetes da imprensa internacional recentemente por causa do bate-boca com Tom Cruise (sempre ele!). Abre parênteses. Como se não bastasse o moçoilo torrar nossa paciência com as exageradas (e ridículas) demonstrações de amor pela Katie-coitada-Holmes, ele deu para meter o nariz onde não é chamado. O que o Sr. Cruise entende de depressão pós-parto para criticar a atriz por tomar remédios? Fala séeeerio! Sorry pelo desabafo, mas ele já está me dando nos nervos. Fecha parênteses. Voltando para o teatro, Brooke Shields fez uma curta temporada em Londres, que terminou no fim de julho, como Roxie Hart em Chicago. Eu, que já havia conferido o desempenho da moça nos palcos como a Riso de Grease, estava seriamente cogitando ir assistir a Chicago novamente. Aproveitei que a minha irmã e meu amigo João, meu eterno Robin, estavam na pilha e fui. Mas no dia a Brooke Shields estava afônica e foi substituída pela pior atriz que encontraram em Londres. Cara, a mulher era péssima! Mas a noite não foi de todo mal. O João descobriu que um colega de academia trabalhava no teatro e ele colocou a gente para assistir ao musical daqueles camarotes-balcões que ficam perto do palco. Foi show de bola!

Ainda da leva de celebridades hollywoodianas, Val Kilmer é a estrela da peça The Postman Always Rings Twice. Mas há muitos outros espetáculos em Londres que valem a pena ser vistos, mesmo sem nomes estelares no elenco: Mamma Mia (com trilha do Abba!), The Producers (o ator que substituiu o Matthew Broderick parece uma cópia dele no palco!), Les Miserables (que já não está mais em cartaz em Nova York), o novíssimo Billy Eliott, Saturday Night Fever, A Ratoeira (baseado no livro da Agatha Christie, o espetáculo está há 53 anos em cartaz em Londres), The Lion King, Mary Poppins, Stomp...

Enfim, Londres é um prato cheio para os amantes da arte, não só da sétima arte. E eu decidi finalmente que não dá para resistir. Vou mesmo respirar teatro nesse verão londrino. Pelo menos enquanto o bolso agüentar!

See you soon.