Aninha´s diary

My Photo
Name:
Location: Rio de Janeiro, Brazil

Sunday, June 26, 2005

Uma brasileira em Wimbledon



** Mais uma coluna publicada na Click21 **

Começo a coluna avisando que ainda não tenho certeza se o que vou relatar abaixo aconteceu mesmo ou se imaginei tudo. Ainda estou me beliscando até agora. Sabe aquele sonho que você tem, mas possui pouca esperança de realizar um dia? Daqueles em que você diz “quando (gosto de brincar de Pollyanna, é QUANDO e não SE) eu ganhar na loteria, eu vou...” Pois é, eu realizei um desses aqui em Londres: fui a um torneio de Grand Slam!! E logo no mais charmoso deles, o de Wimbledon!

Minha companhia dessa vez foi outro amigo, o Diego, que é um verdadeiro aficcionado por tudo que é esporte. Viciado mesmo. Se estiver passando campeonato de porrinha ou de cuspe à distância na TV, acho que o Diego vê! Bom, ele estava na maior pilha para ir a Wimbledon e me ligou no segundo dia do torneio para perguntar se eu topava a aventura. Aventura porque tudo indicava que seria um perrengue só conseguir entrar! A gente não tinha ingresso e está fazendo um calorão em Londres (o verão finalmente chegou por aqui). O Diego já foi logo preparando o meu espírito no telefonema matinal. “Olha, tem gente que dorme na fila no dia anterior. A gente pode esperar horas para entrar, se é que vai entrar”. Okey dokey, nem precisei pensar duas vezes. Afinal, pra quem já enfrentou fila da Disney em julho e marcou presença no Rock in Rio em pleno verão carioca, encarar um filão no calor inglês seria fichinha.

Antes de iniciar a viagem, fizemos uma sessão rápida de compras, tipo sanduíche, água e biscoito. Aquela coisa básica e farofeira que você leva quando vai ao Maracanã, por exemplo (bom, eu pelo menos levo). Para chegar em Wimbledon, tivemos que pegar um trem (eu ainda encarei um metrô camarada, que não tem nem ventilador) e um ônibus da organização do evento até o complexo. Chegando no local, o que se via era gente e fila para tudo quanto é lado. Fila pra quem tinha ingresso, pra quem ainda ia comprar, pra pegar o cartão que te dava o direito de entrar na fila de quem ainda ia comprar (esta é surreal!), ... A gente chegou a entrar em duas, antes de descobrir qual era a certa no nosso caso.

Lugar garantido na fila certa, teve início o período de espera. O que acontece em Wimbledon é o seguinte: chega uma hora em que o complexo fica cheio. Aí, só entra mais gente à medida que outras tantas pessoas saem. Só depois de quase duas horas sob o sol quente e já de barriga cheia (almoçamos por ali mesmo, em pé), é que a fila da bilheteria finalmente começou a andar.

Na hora de comprar o ingresso, é preciso escolher a que quadras se quer ter acesso. Das quadras 3 a 19 é o chamado ground floor. É o ingresso básico e custa 16 libras antes das 17h (depois, o preço cai para 10). A quadra central, a 1 e a 2, onde jogam as maiores estrelas do circuito, custam mais caro. O ingresso dá direito a escolher uma delas e ainda ter acesso a todo ground floor. O legal de ir na primeira semana de torneio é que você tem chances de ver um jogador top fora das quadras principais, pagando o ingresso mais barato. O que, convenhamos, é a melhor pedida para quem ganha em Real.

No momento em que pisei dentro do complexo, quase chorei. Eu e o Diego olhávamos um para o outro e ao nosso redor sem acreditar que realmente estávamos em Wimbledon. Nesta fase de deslumbramento inicial, ficamos entrando e saindo de várias quadras, sem nos importarmos com quem estava jogando e sem esquentar a bunda na cadeira muito tempo. Foi assim até que decidimos perder um tempinho em frente ao placar que indicava os jogos do dia e planejar o que iríamos assistir. Eu queria mesmo é ter visto o Ricardo Mello, que foi derrotado na véspera, porque é sempre mais divertido torcer por um brasileiro. Mas descobrimos que o coração brazuca ia ter uma chance de torcer pela pátria naquele dia, já que o André Sá disputaria o torneio de duplas no fim da tarde, ao lado do paraguaio Ramón Delgado. Anotamos mentalmente o horário para marcar presença.

De olho no painel novamente, decidimos ver o jogo do Tommy Haas e, de quebra, espiar a partida da quadra ao lado, do Fabrice Santoro. Pegamos uma filinha básica na entrada da quadra, esperando o jogo da Davenport acabar para o povo sair. Vinte minutos depois, estávamos sentadinhos na arquibancada para acompanhar nosso primeiro jogo do dia. Mas olha a frustração: não é que o Haas me pisa numa bolinha na hora do aquecimento e machuca o pé? Resultado, abandonou o jogo depois de perder o primeiro set. E trata de arrumar as coisas e partir para outra quadra. Não se pode perder tempo em Wimbledon!

Uma das coisas mais legais em Wimbledon – fora cruzar a todo momento com os tenistas “em trânsito” - é a diversidade das quadras do complexo. Existem as que parecem um estádio mesmo, como a quadra central e a número 1. Mas em algumas só há 3 fileiras de cadeiras de cada lado e você assiste ao jogo praticamente dentro dela, quase cara a cara com o jogador! Outra coisa é que mesmo não se tendo acesso aos jogos principais, pode-se acompanhar as partidas pelo telão do lado de fora da quadra 1, fazendo piquenique na grama. É muito divertido! Naquele dia, o inglês Tim Henman estava jogando e a partida durou horas. Um enxame de pessoas (a palavra é bem essa mesma) lotou a colina em frente ao telão para acompanhar o jogo. Parecia a final de Wimbledon, com direito a muitos aaaahhhs e ooohhhhs nos erros do inglês, gritos de incentivo e aplausos nas jogadas certeiras. “Go, Tim!”, gritavam a todo momento os conterrâneos de Henman. E ele ganhou o jogo, para delírio do povo da colina.

De olho na hora para não perder a partida do André Sá, demos uma nova volta pelo complexo, que mais parecia um formigueiro humano no fim da tarde, com gente circulando por todo o lado. Ainda por conta da emoção de estar em Wimbledon, eu pensava no meu pai, outro viciado em tênis e companheiro no jogo da Pollyanna com a loteria (a gente tem altos planos de correr o mundo acompanhando tudo quanto é evento esportivo QUANDO um dos dois ganhar na Mega-Sena!). Cara, ele ia adorar isso!

O André e o Ramón jogaram contra uma dupla tcheca na quadra 16, uma daquelas que só tem três fileiras de cada lado e você chega a ver até a obturação do jogador de tão perto que está dele. Identifiquei apenas outro brasileiro na torcida, além de mim e do Diego, por causa dos “Vamos” e “Boa” que ele soltava de vez em quando. Tinha ainda duas senhoras inglesas que eram fãs de carteirinha do André. Não havia um só momento do saque sul-americano que a gente não ouvisse o “Go, Aandreee” e o “Go, Rayyymon”, com sotaque bem carregado britânico. O gozado é que no meio da partida elas mudaram a pronúncia dos nomes, de tanto ouvir a gente falar também. Como nem tudo é perfeito, o André e o Ramón perderam nesta minha primeira visita ao templo mais charmoso do tênis mundial. =( Mas eu, que já estou ficando descolada e assumindo de vez meu lado tiete aqui em Londres, pedi para os dois autografarem meu guia de Wimbledon. Vocês acham que eu ia perder essa chance?

Para fechar o dia com chave de ouro, demos um jeitinho de entrar na quadra 1, mesmo sem ter o ingresso especial. E, como dois fãs embasbacados, ainda acompanhamos um pedaço do jogo do Grosjean e do Llodra, antes dele ser suspenso pela falta de luz natural. Na quadra 1! QUADRA 1!!! Alguém me belisca, que eu ainda não estou acreditando!

Saímos do complexo por volta das nove da noite, leves, sorrindo de orelha a orelha. E já tinha uma galera acampada do lado de fora, de olho nos ingressos do dia seguinte. Uma fila de cadeiras, sacos de dormir, i-pods e pizzas. Tudo pronto para uma looonga noite de espera. “Deve ter um disk-pizza só para a fila de Wimbledon”, brincou o Diego.

Só não comemos o tal do morango com creme, tradição de Wimbledon. Este vai ficar para a próxima. QUANDO eu voltar aqui com o meu pai, gastando a grana da loteria. ;-)

See you soon.

Saturday, June 18, 2005

Uma brasileira e o Batmóvel


** Minha 3a coluna para o site da Click 21 teve uma ajudazinha do João. Thanks, darling, pela companhia e inspiration, hahahaha!! **

A minha coluna hoje tem dois personagens principais. O primeiro deles vocês já perceberam pelo título: é o Batmóvel. No duro, sem brincadeira! O segundo é o meu amigo João, uma figuraça, sobre quem, tenho certeza, vocês ainda vão ouvir falar muito nas futuras colunas.

A história desta semana aconteceu em pleno dia dos namorados, 12 de junho, que aqui na Inglaterra foi um dia como outro qualquer. Bom, qualquer não, porque foi o dia da premiere de Batman Begins, um dos filmes mais esperados do ano. Meus movimentos dessa vez foram friamente calculados, como diria o Chapolin Colorado. Eu sabia o dia, o local e a hora do evento. E, entrando no clima do Homem-Morcego, escalei até meu Robin, ou melhor, um fiel escudeiro - o João, para me acompanhar na missão.

Mas quando chegamos no Leicester Square, no início da tarde, o lugar já estava lotado! Big event, com direito a telão avisando sobre a premiere na entrada da praça. E a turistada adorou a atração extra! No cinema Odeon, o mais famoso do Leicester, um morcego gigante enfeitava a faixada e auto-falantes contribuíam para criar o climão, com barulho de morcegos voando e a música tema do filme.

Conseguimos um espaçozinho na grade, num lugar menos nobre dessa vez. Perto do "setor de desembarque", digamos assim, mas com visão panorâmica da coisa. Era ali, no início do tapete vermelho, que os carros iriam parar para os atores e convidados saltarem. Ao decidir enfrentar novamente a muvuca de uma premiere, tinha a esperança secreta de testemunhar a última macaquice do Tom Cruise. Quem sabe se dessa vez ele não sairia rolando pelo tapete vermelho fazendo ao mesmo tempo declarações de amor para a Katie "Joey" Holmes? Que coisa mais esquisita esse romance dos dois! Exageraaado demais. E agora parece que a coisa toda vai dar em casório com o tal pedido feito em Paris. Miss Holmes já até tratou de largar o agente dela para contratar os mesmos do Sr. Cruise. Só falta aderir àquela religião maluca... Sinto o cheiro de um novo caso Bennifer no ar... Não é de se estranhar que os produtores de Batman Begins e Guerra dos Mundos estejam de cabelos em pé com a overdose de demonstrações de amor dos pombinhos, que pode atrapalhar – e muito! – o sucesso de ambos os filmes na telona.

Bom, de volta ao evento. O tempo passa mais rápido quando você esquece a situação ridícula em que se encontra (continuo achando um mico só, mas, confesso, eu bem que queria ver o Christian Bale!) e começa a rir dos outros. O João estava impaciente com a espera e particularmente nervoso com o inglês que estava na grade ao seu lado. Segundo ele, o cara cheirava mal. Muito mal. E não parava de encostar nele. A coisa começou a ficar mais feia ainda quando o João percebeu que o homem estava com uma meleca pendurada no nariz. Que me desculpem os leitores pelo momento escatológico da narrativa, mas era de rolar de rir ver o João pedindo ao inglês, em PORTUGUÊS, para “pelamordedeus” olhar para o outro lado e não para ele, enquanto mirava o céu com cara de nojo. "Moço, moooooço, será que o senhor poderia olhar para o outro lado, por favor? ", falava sem parar de olhar para cima. E eu só ria. Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco. O cara não estava ao meu lado. Ainda bem! - numa futura coluna ainda vou falar sobre a falta de higiene do povo daqui!

O fedor inglês passou para o segundo plano quando apareceu no tapete vermelho a primeira celebridade da noite: o Batmóvel, em carne e osso, quer dizer, em ferro e carroceria. Flashes pipocavam sem parar enquanto o brinquedinho do Batman fazia manobras na rua em frente ao teatro, mostrando seu poder de fogo e os gadgets vitaminados. A aparição teve até seu momento pastelão quando o carro parou e um dos guardas britânicos que estava fazendo a segurança puxou, numa manobra ridiculamente combinada, o talão de multas, colando a folhinha no vidro dianteiro do Batmóvel. Nova saraivada de flashes dos fotógrafos! Rárá, muito engraçadinho... Nem o Batmóvel escapa imune de estacionar em local proibido, já entendemos o recado!

Passado o frenesi inicial, voltamos ao mode de espera. A cada carro que parava na área, todos sacavam as máquinas fotográficas e filmadoras na expectativa de ser uma celebridade. Aí vinha o "aaahhh" tradicional em coro quando a pessoa que descia do veículo era um desconhecido. "Oh, it´s nobody”, era o que se ouvia. Tá bom que o cara não é famoso, mas chamar de zé ninguém é um pouco cruel demais!

Depois de duas horas ali em pé, meu amigo João, o fiel escudeiro, jogou a toalha. Não agüentava mais o mau cheiro do tal inglês. Era definitivamente too much para ele. Meu Robin então decidiu abandonar a cena e me largar sozinha à espera do Christian Bale. E eu prometi a mim mesma que não saíria dali antes dele chegar! Uns vinte minutos depois, agora sozinha e tentando me manter ao máximo afastada do inglês mal-cheiroso, eis que aparece no setor de desembarque um carro, seguido por outro com seguranças portando pontos no ouvido. Pensei eu, será que são o Tom e a Katie (olha o nível de intimidade!!) ??? Não, era o Bruce Wayne em pessoa! Christian Bale, um fofo, se demorou perto dos fãs assinando autógrafos antes de começar a trajetória pelo tapete vermelho. E eu desta vez não esqueci de sair com a minha máquina!!! Só que, como ainda não entrei na era da câmera digital, vou ter que esperar revelar o filme para checar as trocentas mil fotos que tirei dele.

Logo depois chegou a mocinha da fita, Katie Holmes, sem Tom Cruise a tiracolo. Mais gritos da platéia afoita por um autógrafo e uma foto da eterna musa de Dawson. E a cada nova celebridade que chegava, a multidão eufórica gritava, esquecendo do astro anterior. Como Christian e Katie, Michael Caine – que interpreta o fiel mordomo Alfred no longa - também encontrou muita disposição para falar com os fãs. Outro que compareceu ao evento esbanjando simpatia foi o jovem Rupert Grint, o Ron Weasley da série Harry Potter, que não, não fez nenhuma ponta em Batman. Só é fã do super-herói. Já Morgan Freeman desceu do carro acenando e todo sorrisos, mas passou reto. Neca de apertar mão de fã.

Val Kilmer, que já vestiu o uniforme do Homem-Morcego (mas não convenceu muito!) e está em cartaz em Londres com a peça The Postman Always Rings Twice, também marcou presença. Mas isso eu já não vi. Tinha ido embora. Mas não sem antes ligar para o João, para dizer o que ele tinha perdido. Se ele tivesse agüentado o cheiro do inglês por mais uns minutinhos...

Agora estou tentando convencê-lo a enfrentar a premiere de Guerra dos Mundos comigo. Não vai ser fácil. Acho que o João tomou ojeriza de ficar espremido na multidão, sem poder controlar os hábitos de higiene de quem está ao seu lado. Vou aconselhá-lo a sair de casa com um spray de Bom Ar. Se não resolver o problema, pelo menos pode quebrar um galho da próxima vez. ;-)

That’s all folks! See you soon.

Friday, June 10, 2005

Uma brasileira e um job em Londres

*** Segue abaixo mais uma coluna minha publicada no site da Click 21. Desta vez o relato é sobre o primeiro emprego que consegui em Londres, mas que acabei abrindo mão. ***

Hoje começo a coluna fazendo uma confissão: rejeitei uma oportunidade de emprego em Londres! Guess where? Outback. Yes, tem Outback em Londres. O dono do restaurante é um inglês casado com uma brasileira, casal super simpático por sinal. Antes que alguém me pergunte, a comida é parecida. A cebola é menos vitaminada (pequenininha, quase precisei de lupa), mas o brownie é melhor do que no Brasil (pode confiar, sou chocólatra de carteirinha!).

Bom, primeiro tenho que explicar que estou tentando incrementar minhas finanças por aqui (não sou nenhuma Becky Bloom, mas as entradas dos meus adorados musicais custam caro!). Não é fácil pagar as contas em pounds. O jeito é descolar mesmo um job fora da área e balancear tudo com a vida de correspondente freelancer.

Pois é, voltando ao emprego. Depois de almoçar no Outback com a minha irmã e meu cunhado, resolvi perguntar na cara dura se tinha algum job vacancy. Tinha. A vaga era de host, que, eu descobri meio surpresa, ganha menos do que garçonete. E ainda não tem as gorjetas! Disseram para eu preencher um formulário e aparecer no dia seguinte para fazer um teste. Apareci pontualmente na hora marcada, crente que ia brincar de hostess, sendo monitorada por uma funcionária sênior.

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que tinha que fazer uma prova mesmo, literalmente, de múltipla escolha. Eram umas 60 perguntas, desde questões de personalidade (are you a party animal? Dê uma nota de 1 a 5, sendo que 5 corresponde a mais de 90% do tempo) até probleminhas de matemática (precisei aplicar muita regra de três!). As respostas tinham que ser marcadas num cartão - daqueles parecidos com o do TOEFL, aquela prova de inglês – que seria enviado para os States por fax, para ser corrigido. Feita a prova, voltei para casa e fiquei aguardando o resultado.

Dois dias depois, me ligaram chamando para uma entrevista com o proprietário. Eu já estava pensando duas vezes se queria mesmo esse emprego. Nada contra, mas é que para chegar lá eu precisava pegar 2 trens (não tem metrô direto) e o trabalho seria à noite, que é o horário em que o Outback bomba (e eu detesto trabalhar à noite!). Para completar, a grana não era lá essas coisas (o mínimo por hora). Já deu para perceber que eu estava numa má vontade só com a oportunidade, né? Mas fui, resignada, fazer a tal da entrevista e ver no que ia dar.

Era outra prova, só que agora oral e em duas etapas!! O dono do Outback ia lendo um monte de situações e eu tinha que dizer o que faria, nos mínimos detalhes, ou seja, ponto a ponto. Não tinha exatamente uma resposta certa. Cada coisa que eu respondia podia valer um ponto dentro da questão, que vinha com várias opções.

Situações do tipo: “Um freguês te chama na mesa e diz que o prato dele está errado. O que você faz?” Hãaa... “Peço desculpas, levo de volta e troco pelo certo”, respondo eu. Piiii. Wrong! Primeiro você deve perguntar o que está errado com o prato dele, o que ele pediu, depois se desculpa se estiver mesmo errado e leva para a cozinha para ser trocado. Ok, acho que peguei o espírito da coisa.

Mais uma pergunta: “O cliente sai do restaurante e do lado de fora viu que a bateria do carro está arriada. O que você faz?” Paro e penso. “Bom, eu pergunto se ele quer ligar para o autoclube, or whatever, digo que ele pode esperar o socorro lá dentro...”. Sob o olhar indagador do meu entrevistador, que queria mais, continuo. “Ofereço alguma coisa para ele beber enquanto espera?” Bingo! Ele preenche as opções na folhinha de respostas. “Mais alguma coisa?”, pergunta ele. “Hã, dou um sorriso camarada???” Caraca, foi assim a prova inteira!

E ainda havia aquelas perguntas que você não faz idéia do que responder, como: “Se um cliente resolve te dar uma gorjeta, porque gostou do seu trabalho, o que você faz?”. Bem, sei lá, nunca trabalhei em restaurante para saber como funciona ou como é a política da casa. Seria normal aceitar a gorjeta ou existe uma caixinha que depois é dividida entre todo mundo? Fiu.... Cheguei a suar frio!

Gente, moral da história é que nunca pensei que fosse tão complicado garantir uma vaga no Outback! E é o mesmo processo em TODOS eles, inclusive no Brasil! Mas no fim das contas, acabaram gostando de mim e me ofereceram a vaga. Eu, que já estava pensando duas vezes, enrolei um tempo, dizendo que estava esperando a resposta de uma outra entrevista que tinha feito, e acabei declinado da oportunidade dois dias depois.

Foi assim que quase consegui um emprego londrino. Agora, sem arrependimentos, estou à procura de outro job. Bem que podia ser perto de casa e pagar bem... E ser de dia... E divertido... Um lugar em que se conheça gente interessante... Hum, será que estou pedindo muito? Chaaaaato ser exigente! Pobre das minhas economias...

Bom, na próxima coluna conto se já estou botando a mão na massa ou se ainda estou “turistando” em Londres, enquanto persigo celebridades em premieres do Leicester! ;-)

See you soon.

Saturday, June 04, 2005

I want a job, but a nice one!

Na última quinta-feira dediquei meu dia a procurar um emprego por aqui. Afinal, tenho muitos musicais para ver nesta cidade - incluindo o estrelado pelo Ewan Obi-Wan McGregor - e dói pensar nas libras que isso vai custar ao meu bolsinho...

O João ficou sabendo de uma loja de roupas em Covent Garden que estava procurando part-time e full-time employees. Lá fomos nós dois - assim um dava coragem para o outro -, com os currículos debaixo do braço (currículos mentirosos, por sinal), ver no que ia dar aquilo. A frustração é que a loja só contratava gente que já tinha o raio do National Insurance Number, um documento que vc precisa ter para trabalhar no UK. O detalhe da coisa é que vc não pode tirar se já não tiver um emprego. Assim fica difícil!!!

Bom, o jeito foi rodar pela área e ver se alguma outra loja estava precisando de gente. Covent, Strand, Oxford Street, Regent, Picadilly. É meio engraçado ficar entrando nos lugares e perguntar se existe algum job vacancy. Se não tem, precisa ter cara para pedir para deixar o CV. No início, vc fica com vontade de enterrar a cabeça na areia de vergonha (pelo menos eu e o João), mas depois que faz isso algumas vezes, acaba desenvolvendo a maior cara-de-pau para essas coisas.

Duas lojas em especial nos chamaram a atenção. A primeira foi a Foyles, uma livraria grande, com uns 4 ou 5 andares que mais parece uma biblioteca tamanho é o silêncio que reina. Livraria é sempre uma boa pedida. Logo penso nos descontos nos livros para os funcionários, hehehehehe (sem minhas séries de TV, já terminei 3 livros por aqui e estou em vias de acabar o quarto!!). O segundo lugar era uma bagunça só, mas incrivelmente divertido: a Hamleys, uma loja ENORME de briquedos, no estilo da FAO Swartz. Não é preciso dizer que a gente passou mais de uma hora ali, relembrando os tempos de criança e curtindo as novidades. Os brinquedos de Star Wars são um barato! Tem até uma máscara do Darth Vader que transforma sua voz naquela voz esquisita dele e imita a respiração. Sem falar numa fábrica de ursinhos de pelúcia, em que vc escolhe o seu e põe o enchimento na hora. O quanto fun é isso? Eu quero!!!!!!

Bom, esta foi a nossa primeira jornada conjunta em busca de um empreguinho básico na terra da rainha. Já marcamos uma nova rodada para esta semana. As vítimas agora são as lojas da Victoria Street, que é mais perto de casa. Dedos cruzados, porque meus musicais me esperam!!!

Beijos a todos

PS. Tb mandei uma application para um summer camp. Ser monitora de colônia de férias não seria a minha cara?!! ;-)))

Thursday, June 02, 2005

Uma brasileira e um tapete vermelho

Esta foi a primeira coluna que escrevi de Londres para o portal da Click21, que ganhou nova cara em junho:

Acho que a gente pode ver de tudo em Londres. A capital da Inglaterra é um verdadeiro melting pot quando o assunto é cultura ou pessoas. E foi aqui, na terra da rainha, que eu decidi passar uns meses. Nada como se lançar numa aventura que você nem sabe no que vai dar, não é mesmo?

Com menos de duas semanas na capital inglesa, já explorando a cidade, resolvi passar uma tarde agradável visitando o Picadilly Circus. Aproveitei que o tempo estava meio chuvoso (uma novidade em Londres!) para assistir, na matinê, a peça A Ratoeira, de Agatha Christie. O espetáculo está há 52 anos em cartaz e é inacreditável como até hoje não vazou o nome do assassino (ou assassina, haha!) por um espírito de porco de plantão. Mas a idéia para esta primeira coluna londrina não surgiu da peça, mas do que aconteceu depois.

Ao sair do teatro, resolvi ir a pé para casa, o que incluía cortar caminho pelo Leicester Square. Para quem não conhece, o Leicester é o point do entretenimento londrino quando o assunto é cinema. É na famosa praça que acontecem as grandes premieres no Reino Unido. E foi justamente uma dessas premieres que me esperava, a do filme de terror teen The House of Wax. Não preciso dizer que a figura mais aguardada pelo povo que se amontoava, em busca de um lugarzinho com visão privilegiada do tapete vermelho, era a da espevitada Paris Hilton. Claro que euzinha não tinha o menor interesse em ver nenhuma Paris de perto (só mesmo a cidade luz), mas confesso que a curiosidade sobre o evento falou mais alto e logo me vi assegurando o meu spot na grade em meio ao povão, bem em frente à entrada do cinema, do lado oposto dos fotógrafos (aposto que estou rolando no fundo de várias fotos que percorreram redações do mundo inteiro!).

Como jornalista e apreciadora do comportamento humano, estava adorando observar a reação das adolescentes histéricas e turistas de plantão, que mal sabiam o que ia acontecer no local (tem gente que não pode ver uma fila ou agrupamento de pessoas que já fica a postos). O lema adotado pela multidão era: bata a foto primeiro, pergunte quem é depois. Do alto da minha dignidade, estava me sentindo meio ridícula por estar ali a cada olhadela dos seguranças, que pareciam querer descobrir algum terrorista de tocaia. Por outro lado, também estava interessada em ver no que ia dar tudo aquilo. Mas depois de duas horas em pé, sem poder me mexer direito ou sentar, comecei a duvidar da minha sanidade mental. Afinal, nunca fui fã afoita de ninguém para fazer tanto sacrifício. Ou pagar tamanho mico! Só o pensamento de que finalmente tinha um assunto que valesse a pena para uma coluna de estréia me fez ficar firme no salto (modo de dizer, pois eu estava de tênis, é claro).

E não é que no final o esforço foi recompensado com um bônus extra? Depois de um desfile de celebridades locais que eu nunca tinha visto na vida – incluindo uma vencedora do Big Brother inglês que se achava a última bolacha do pacote e, coitada, viu seu tomara-que-caia literalmente cair na frente dos fotógrafos – eis que aparecem no tapete vermelho Chad Michael Murray (da série One Tree Hill) e Jared Padalecki (de Gilmore Girls). Como boa VICIADA em seriados que sou, acabei deixando o lado fã falar mais alto e assumi o ar embasbacado de praxe. Não é todo dia que se depara com um Lucas ou um Dean estacionados e sorridentes bem na sua frente, não é mesmo? Sem mencionar que o Jared foi a coisa mais fofa do mundo (que me perdoem os rapazes, pelo momento babação de ovo), conversando com os fãs como se os estivesse recebendo no jardim de casa, assinando autógrafos e posando para fotos. Down to earth, como dizem por aqui. Fiquei encantada, nem preciso dizer. Ainda estou enxugando a baba até agora.

Depois do momento simpatia de Jared, relaxei e curti. Não teve para mais ninguém. Paris Hilton passou toda pink, mas não abafou; e Elisha Cuthbert, a estrela da fita e a irritante Kim Bauer da série 24 Horas, também marcou presença discreta (nota da colunista: é um toquinho de gente a moça. Mesmo!!). Ao final do evento, quando quem tinha convite entrou para assistir ao filme, duas coisas ainda permaneciam sem resposta para mim. A primeira é quem eram as duas mulheres parecendo um par de jarros, vestidas com um microvestido vermelho (num frio do cão!) e duas mini-perucas pretas, que deixaram os fotógrafos num frenesi louco. Big interrogation mark. Fui descobrir dias depois que era a dupla Cheeky Girls. Continuei na mesma... Even bigger interrogation mark!! A segunda é porque cargas d’água eu NÃO saí com a minha máquina fotográfica naquele dia!!! Podia ter em mãos vários momentos Kodak para a posteridade. Sem falar numa foto com o Jared, o mais novo queridinho do meu caderninho...

Bom, já me conformei, são águas passadas. Afinal, não faltarão premieres como esta em Londres. Resta saber se eu vou ter pique e cara-de-pau para pagar mais um mico como esse num outro tapete vermelho do Leicester. Se criar coragem, Tom Cruise e a Guerra dos Mundos que me aguardem!

Mas essas são cenas para um próximo encontro...
See you soon.

Wednesday, June 01, 2005

London, London

Bom, esta é a primeira vez na vida que começo um blog. O objetivo é relatar para os amigos minhas andanças por Londres. Este post é um teste. Vamos ver se dá certo.

Saudades de todos no Rio.
Aninha =))